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Música da noite: "Never There" e o silêncio como resposta
Cake transformou a ausência em mantra alternativo, acompanhada por um refrão seco e cortante.
Por LockDJ
Publicado em 28/08/2025 20:44 • Atualizado 28/08/2025 20:45
Música
"Never There" é o rock alternativo dos anos 90 filtrado por uma estética quase anti-pop (Foto: Reprodução)

A solidão telefônica de Never There é um retrato da ansiedade moderna antes mesmo de a internet ditar os afetos. A música traduz o eco de uma chamada que nunca se completa, o hiato entre expectativa e silêncio. John McCrea canta com ironia e desencanto, como se a ausência já fosse a resposta de um peso que insiste em permanecer.

Musicalmente, Cake aciona o contraste: guitarras secas, trompete minimalista, bateria precisa. É o rock alternativo dos anos 90 filtrado por uma estética quase anti-pop, que desconstrói a canção de amor para revelar sua ossatura: repetição, frustração e sarcasmo. Não há explosão de refrão, mas um mantra resignado que insiste em “nunca estar lá”.

 

Escutar Never There é relembrar uma época em que a falta de presença já era insuportável, mas ainda analógica. Uma canção que permanece como alegoria da ausência, seja no telefone fixo de ontem ou nas mensagens não respondidas de agora. Cake sabia que a modernidade sempre soaria assim: uma espera infinita, acompanhada por um refrão seco e cortante.

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