“I’m With You” nasceu em 2011 como um rito de passagem. Não apenas o décimo álbum do Red Hot Chili Peppers, mas o primeiro sem John Frusciante desde a virada dos anos 2000. Entrava em cena Josh Klinghoffer, mais discreto, menos messiânico, mas igualmente experimental. O resultado não foi a repetição de Stadium Arcadium, mas uma espécie de renascimento controlado, como se a banda precisasse reaprender a caminhar em seu próprio corpo.
Anthony Kiedis, Chad Smith e Flea pareciam conscientes da ruptura: falaram em “novo começo”, “nova banda”, e isso se escuta na textura das faixas. Há menos pirotecnia guitarrística e mais espaço para grooves expansivos, linhas de baixo quase meditativas e batidas que respiram.
“The Adventures of Rain Dance Maggie”, lançado às pressas após um vazamento, simboliza bem essa transição: ainda há o DNA funk rock, mas revestido de um lirismo pop que beira a autoironia.
Já “Monarchy of Roses” flerta com uma urgência punk que lembra o passado, mas soa deslocada dentro do álbum — como se a banda testasse os limites da própria identidade.
Com mais de 7 milhões de cópias vendidas, I’m With You se inscreve como um capítulo híbrido na trajetória dos Chili Peppers: não é o êxtase coletivo de Californication, tampouco a grandiloquência dupla de Stadium Arcadium. É um disco de sobrevivência, de ressurgimento. Um trabalho que soa menos preocupado em ser épico e mais interessado em afirmar que ainda há caminhos a explorar, mesmo que tortuosos. O título, afinal, parece um recado aos fãs: “Estamos com vocês. Continuamos aqui. Diferentes, mas vivos”.