Em 19 de janeiro de 1970, estreava nos cinemas Easy Rider, um filme que capturou o espírito de uma geração e ajudou a redefinir o próprio cinema americano. 56 anos depois, a obra segue pulsando como manifesto libertário e da contracultura, road movie existencial e retrato cru de um país em ebulição, dividido entre o sonho de liberdade e a intolerância que o sufoca.
Dirigido por Dennis Hopper e protagonizado pelo próprio ator ao lado de Peter Fonda e Jack Nicholson, Easy Rider acompanha dois motociclistas que cruzam os Estados Unidos após um negócio mal explicado, levando consigo dinheiro, drogas e, sobretudo, a ilusão de que a estrada ainda pode ser um território livre.
O filme abandona a narrativa clássica, aposta em cortes abruptos, trilha sonora curada como um vinil definitivo da contracultura (The Byrds, Steppenwolf, Jimi Hendrix) e personagens que parecem mais viver do que atuar. Não há heroísmo tradicional, há deslocamento, silêncio, estranhamento e uma sensação constante de que a América profunda não aceita quem ousa viver fora da linha.

Dennis Hopper, Peter Fonda e Jack Nicholson em cena de Easy Rider (Foto: Divulgação)
O impacto cultural de Easy Rider vai além da tela. Ele abriu caminho para a chamada Nova Hollywood, provando que filmes autorais, baratos e politicamente incômodos podiam dialogar com o grande público. Mas sua força maior está no desfecho brutal e anticlímax, que desmonta qualquer romantização da jornada. A liberdade, ali, cobra um preço alto, e quase sempre fatal.
Atualmente, Easy Rider pode ser visto apenas para aluguel no YouTube, por R$ 3,90, ou na programação rotativa do Telecine Cult, como um lembrete incômodo e necessário de que a estrada americana, assim como o sonho que ela promete, nunca foi totalmente segura para quem escolhe ser diferente.