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Magnum estreia no Disney+ como sátira afiada do estrelato no MCU
Primeiros episódios apostam em humor metalinguístico, crise de identidade e bastidores de Hollywood para apresentar o Wonder Man.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 28/01/2026 06:00
Entretenimento
A produção aposta menos em épicos grandiosos e mais em uma abordagem irônica (Foto: Divulgação)

A Marvel amplia seus horizontes no streaming com a estreia de Magnum (Wonder Man, no original), nova série do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) que chegou ao Disney+ nesta terça-feira (27). Protagonizada por Yahya Abdul-Mateen II, a produção aposta menos em épicos grandiosos e mais em uma abordagem irônica, quase autoconsciente, sobre fama, identidade e o lugar dos super-heróis em um mundo obcecado por imagem.

Nos três primeiros episódios, a série apresenta Simon Williams, um ator talentoso, mas frustrado, tentando sobreviver em uma indústria que valoriza mais o marketing do que o talento. A escolha de começar a narrativa antes da explosão super-heroica é um acerto: Magnum se interessa mais pelo homem em crise do que pelo herói em formação. O tom é de comédia dramática, com diálogos afiados e situações que brincam com os próprios clichês de Hollywood, e, por tabela, do MCU.


A virada acontece quando Simon se envolve em experimentos científicos que lhe concedem habilidades como superforça, resistência e manipulação de energia, ecoando sua origem clássica nos quadrinhos. A série, no entanto, evita tratar esses poderes como destino inevitável. Aqui, eles funcionam quase como uma metáfora: quanto mais extraordinário Simon se torna, mais deslocado ele se sente no próprio papel, como herói e como ator.


O retorno de Ben Kingsley como Trevor Slattery é um dos grandes trunfos iniciais. Seu personagem funciona como elo entre o passado caótico do MCU e a nova proposta mais autoconsciente da série, além de servir como alívio cômico e comentário ácido sobre farsas, performance e identidade, temas centrais da trama. As participações de Lauren Glazier e Courteney Cox reforçam o jogo entre indústria do entretenimento e super-heroísmo, trazendo camadas inesperadas aos conflitos.


O que Magnum sinaliza para o restante da temporada é uma narrativa menos preocupada em preparar grandes eventos e mais interessada em desconstruir o mito do herói-celebridade. A série parece caminhar para discutir até que ponto o MCU pode rir de si mesmo sem perder relevância, ao mesmo tempo em que prepara Simon Williams para ocupar um espaço maior no universo compartilhado. Talvez não como líder, mas como contraponto.

Se os primeiros episódios servem de termômetro, Magnum deve seguir equilibrando crítica, humor e drama, apostando em personagens e não apenas em poderes. Em um momento em que a Marvel busca novos caminhos, a série surge menos como promessa de explosão e mais como um experimento consciente e, justamente por isso, um dos projetos mais curiosos da fase atual do estúdio.

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