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Trilha de Arquivo X transformou mistério em linguagem sonora
O assobio que mudou a TV virou símbolo dos anos 90 e ajudou a eternizar a paranoia, o medo e o fascínio pelo desconhecido.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 31/01/2026 12:24 • Atualizado 31/01/2026 12:30
Entretenimento
A trilha de abertura de Arquivo X é uma das mais reconhecíveis da história da televisão (Foto: Divulgação)

Nos anos 1990, Arquivo X foi além de uma série de sucesso, tornou-se um fenômeno cultural. As investigações paranormais conduzidas pelos agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully, vividos por David Duchovny e Gillian Anderson, capturaram uma geração inteira fascinada por conspirações, ciência de fronteira e verdades ocultas. Mas, antes mesmo do primeiro diálogo de cada episódio, a produção já havia fisgado o espectador por outro caminho: o som.


                                   Agentes Fox Mulder e Dana Scully (Foto: Divulgação)


A trilha de abertura, composta por Mark Snow, é hoje uma das mais reconhecíveis da história da televisão. Etérea, minimalista e inquietante, parecia anunciar que algo invisível estava prestes a se revelar, ou a se esconder ainda mais. O assobio agudo e flutuante, aliado a imagens enigmáticas, criava uma sensação hipnótica, como se o público atravessasse uma fronteira entre sonho e realidade. Nada soava parecido na TV daquela época.


A música dialogava perfeitamente com o espírito paranoico dos anos 90. Sons sintéticos evocavam laboratórios secretos, experiências científicas obscuras e vigilância constante. A famosa frase “A verdade está lá fora” não era apenas um slogan visual, ela estava embutida na própria trilha, que sugeria que a verdade existia, sim, mas permanecia fora de alcance.

Curiosamente, a escolha de Mark Snow para a série não foi resultado de um processo sofisticado. Chris Carter, criador da produção, tinha pouco conhecimento musical. Em entrevista à Vice em 2016, Snow contou que foi escolhido de forma quase aleatória, simplesmente por morar perto de Carter. O primeiro encontro aconteceu na garagem do compositor, transformada em estúdio improvisado. Ele tocou algumas ideias, recebeu um agradecimento educado e nenhuma garantia. Só semanas depois veio a confirmação do trabalho, sem qualquer sinal de que aquela série se tornaria histórica.


                Mark Snow criou o tema de abertura de Arquivo X (Foto: Divulgação)


A busca pela música ideal foi feita por tentativa e erro. Carter levou ao compositor CDs de bandas independentes que gostava, pedindo algo mais simples, menos “produzido”. Foi então que o acaso entrou em cena: ao apoiar o antebraço sobre um teclado, Snow criou involuntariamente um som repetitivo com grande atraso. Aquela base rítmica acidental se tornou o alicerce da trilha.


Faltava a melodia. Depois de testar sons sintéticos de violino, flauta e piano, Snow encontrou, em um antigo sampler Proteus, um timbre chamado “Old Joe”, um assobio artificial. A esposa do compositor ouviu de outro cômodo e comentou que aquilo “poderia funcionar”. Carter, ao escutar, foi direto: simples, estranho e inquietante. Exatamente o que Arquivo X precisava.


A partir daí, Snow expandiu esse universo sonoro para toda a série. Nos primeiros episódios, a produção ainda reutilizava trilhas ambientais de outros filmes, mas logo o compositor passou a criar temas originais, melodias discretas e climas sonoros que se tornaram parte essencial da narrativa. Em nove temporadas, segundo ele, nunca houve uma crítica negativa ao trabalho musical da série.


Mais de 30 anos após sua estreia, Arquivo X segue sendo lembrada não apenas por seus casos inexplicáveis, mas por sua identidade sonora única. A trilha de abertura permanece como um marco da cultura pop, uma combinação perfeita de mistério e inquietação. É como se um OVNI tivesse pousado na televisão dos anos 90 e continuasse, até hoje, a emitir seus ruídos estranhos na memória coletiva.


Para quem nunca assistiu, ou para quem sente vontade de revisitar esse clima, a série está disponível na íntegra no catálogo do Disney+. A verdade pode até estar lá fora, mas o som que a anuncia continua ecoando aqui dentro.



Com informações de Bruno Botelho dos Santos - Adoro Cinema

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