A noite do Grammy Awards 2026 marcou um ponto simbólico na trajetória do The Cure. Pela primeira vez, a banda britânica venceu categorias da principal premiação da indústria musical, mas não esteve presente para receber as estatuetas. A ausência teve um motivo íntimo: os integrantes participavam do funeral privado de Perry Bamonte, morto em dezembro, aos 65 anos.
Enquanto o evento celebrava números, rankings e discursos de agradecimento, Robert Smith e seus companheiros optaram pelo silêncio e pela despedida. Segundo a revista People, Robert Smith, Simon Gallup, Jason Cooper, Roger O’Donnell e Reeves Gabrels estavam reunidos para se despedir de um músico que acompanhou a banda em momentos decisivos desde os anos 1980.
O The Cure venceu em duas categorias centrais do campo alternativo: Melhor Álbum de Música Alternativa, com Songs of a Lost World, e Melhor Performance de Música Alternativa, com a faixa Alone. Foram prêmios que colocaram o grupo à frente de nomes que definem o presente do gênero, mas que também reforçaram a longevidade de uma banda que sempre caminhou à margem das convenções da indústria.
No dia seguinte à cerimônia, o reconhecimento veio pelas redes sociais. Em um texto escrito previamente, Robert Smith agradeceu à Academia, aos colaboradores do álbum e à equipe envolvida no projeto. O tom foi direto, sem espetáculo. Entre menções a produtores, gravadoras e equipes técnicas, o vocalista reservou as palavras mais significativas aos fãs, reconhecendo o papel do público que acompanhou a turnê Lost World e sustentou a travessia do grupo ao longo das décadas.
A morte de Perry Bamonte lançou uma sombra discreta sobre a conquista. Guitarrista e tecladista, ele integrou o The Cure em fases distintas, participou de álbuns como Wish, Wild Mood Swings e Bloodflowers e retornou em momentos-chave, incluindo a indução da banda ao Rock & Roll Hall of Fame. Sua trajetória reflete a própria lógica do grupo: idas e vindas, reinvenções e permanência.
O Grammy, nesse contexto, deixou de ser apenas uma consagração tardia. Tornou-se um registro de contraste entre celebração pública e perda privada. Um retrato fiel de uma banda que, mesmo ao ser reconhecida pelo centro da indústria, continua vivendo sua história em outro ritmo.