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Música da noite: quando a dor aprende a dividir espaço
Mary J. Blige & U2 transformam ruptura em comunhão elétrica e soul.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 08/02/2026 19:26 • Atualizado 08/02/2026 19:26
Música
Mary J. Blige canta “One” como se sangrasse em cada verso (Foto: Reprodução)

"One" nasceu como manifesto em meio a tensões criativas do U2, quase um adeus precoce, e virou ponte. Anos depois, na releitura com Mary J. Blige, a música troca a névoa alternativa dos anos 90 por uma combustão íntima de R&B. A guitarra de The Edge continua lá, etérea, mas agora respira entre pausas que parecem oração.

Mary canta “One” como se sangrasse em cada verso. Onde Bono ecoava conflito coletivo, ela injeta memória, abandono, reconciliação. A batida é contida, quase minimalista, deixando espaço para que a voz ocupe tudo. É como se a canção deixasse de ser sobre uma banda à beira do colapso e passasse a ser sobre duas pessoas tentando sobreviver ao que restou do amor.

O resultado é uma colisão improvável entre arena rock e soul urbano, um diálogo entre Dublin e Nova York, fé e ferida. “One” vira menos hino e mais confissão. E, no fim, a pergunta permanece suspensa no ar: somos um, ou apenas aprendemos a parecer?

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