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Seattle, 1994: a verdade sobre Kurt Cobain foi mesmo contada?
Estudo publicado em revista científica aponta inconsistências na autópsia de 1994, mas autoridades mantêm conclusão.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 12/02/2026 12:44 • Atualizado 12/02/2026 12:44
Música
Relatório forense independente questiona conclusão oficial sobre a morte de Kurt Cobain (Foto: Divulgação)

Mais de três décadas após a morte de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, um novo relatório forense reacendeu o debate em torno das circunstâncias que cercaram o caso. O músico foi encontrado morto em 5 de abril de 1994, aos 27 anos, em sua residência em Seattle. Na época, o Gabinete do Médico Legista do Condado de King concluiu que a causa da morte foi suicídio por ferimento autoinfligido com uma espingarda Remington Modelo 11, calibre 20.

Agora, uma equipe privada de cientistas forenses afirma ter identificado inconsistências na autópsia original e nos registros da cena do ocorrido. O estudo foi publicado no International Journal of Forensic Science após revisão por pares e sustenta que alguns achados médicos e circunstanciais não seriam totalmente compatíveis com uma morte imediata provocada por disparo de arma de fogo.


Entre os pontos destacados no novo relatório estão detalhes da cena descrita em 1994. Os pesquisadores observaram que as mangas da camisa de Cobain estavam arregaçadas e que o kit de heroína foi encontrado a alguns metros do corpo. O conjunto continha seringas tampadas, cotonetes e pedaços de heroína preta de tamanhos semelhantes.

Para a pesquisadora Michelle Wilkins, que colaborou com a análise, a organização do material levantaria questionamentos sobre a dinâmica dos acontecimentos. À época, a polícia declarou que Cobain teria injetado uma quantidade de heroína considerada muito acima da média de consumo, inclusive para usuários frequentes.


Pontos levantados pela nova análise


O relatório também revisita os achados da autópsia original, que registrou líquido nos pulmões, hemorragia ocular e danos no cérebro e no fígado. Segundo os autores do estudo recente, esses elementos poderiam ser compatíveis com um quadro de overdose, caracterizado por respiração lenta e redução do fluxo sanguíneo, e não necessariamente com uma morte instantânea decorrente de um disparo.


Outro aspecto mencionado é a ausência, no laudo original, de descrição detalhada sobre sangue nas vias respiratórias, um achado que costuma estar presente em mortes por tiro na cabeça. A equipe também argumenta que o tronco encefálico, responsável pelo controle da respiração, possivelmente não teria sido atingido de forma a provocar interrupção imediata das funções vitais, além de questionar a posição do braço do músico no momento em que foi encontrado.

Para os pesquisadores, o conjunto desses fatores poderia indicar que Cobain já estaria fisicamente incapacitado antes do disparo. Ainda assim, o estudo não apresenta uma conclusão definitiva, mas levanta a hipótese de que as circunstâncias mereceriam nova avaliação.


Posição oficial permanece inalterada


O Gabinete do Médico Legista do Condado de King reiterou que realizou uma autópsia completa em 1994 e que a causa da morte foi oficialmente determinada como suicídio. Em nota, o órgão afirmou estar aberto a revisar conclusões caso surjam evidências substanciais inéditas, mas declarou não ter recebido, até o momento, elementos que justifiquem a reabertura formal do caso.

 
A morte de Kurt Cobain permanece como um dos episódios mais marcantes e controversos da história do rock. Ícone da geração grunge e voz de uma juventude inquieta nos anos 1990, o artista segue como objeto de análises, documentários e debates que atravessam décadas — agora, novamente, à luz de questionamentos científicos sobre um caso que parecia encerrado.


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