Nota: 7,0/10
⭐⭐⭐☆☆
Quando Panic Room chegou aos cinemas em 2002, consolidou-se como um exercício de estilo típico de David Fincher. Câmera cirúrgica, tensão calculada e um domínio quase matemático do espaço. O thriller estrelado por Jodie Foster transformava uma casa em tabuleiro e a claustrofobia em protagonista.
Cada movimento de câmera parecia coreografado para ampliar a sensação de confinamento e paranoia, enquanto o roteiro enxuto explorava o medo primário da invasão doméstica.
A versão brasileira de O Quarto do Pânico, dirigida por Gabriela Amaral Almeida, parte do mesmo conceito, com mãe e filha isoladas dentro de um cômodo de segurança enquanto criminosos invadem a residência, mas adota uma abordagem mais emocional do que arquitetônica. Com Isis Valverde à frente do elenco, o filme aposta na intensidade dramática e na vulnerabilidade da protagonista como principal motor narrativo.
Enquanto o original de Fincher investia em uma mise-en-scène quase labiríntica, explorando cada centímetro da casa com travellings impossíveis e planos-sequência virtuosísticos, a produção brasileira opta por um suspense mais direto, menos estilizado. A tensão existe, mas é construída de maneira mais convencional, apoiada em trilha sonora e confrontos verbais. O foco recai sobre o impacto psicológico da situação, buscando uma identificação mais imediata com o público nacional.
A escolha funciona em parte. Isis entrega uma performance convincente, transmitindo desespero e força materna com naturalidade. No entanto, o filme sente a falta de uma identidade visual mais ousada, justamente o elemento que tornou o longa de Fincher emblemático.
No fim, O Quarto do Pânico brasileiro não é uma reinvenção radical, tampouco uma cópia sem alma. É uma releitura que prioriza emoção sobre engenharia cinematográfica. Para quem busca suspense envolvente, funciona. Para quem revisita a sombra de Fincher, talvez deixe a sensação de que faltou apertar um pouco mais o botão da tensão.
A versão brasileira de O Quarto do Pânico está disponível no Telecine.