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A versão de O Quarto do Pânico sob olhar brasileiro
Com Isis Valverde no papel central, releitura nacional revisita o clássico de David Fincher, mas sem a mesma precisão claustrofóbica.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 15/02/2026 18:04 • Atualizado 15/02/2026 18:12
Entretenimento
Isis Valverde entrega uma personagem que cumpre o papel com eficiência (Foto: Divulgação)

Nota: 7,0/10

⭐⭐⭐☆☆ 


Quando Panic Room chegou aos cinemas em 2002, consolidou-se como um exercício de estilo típico de David Fincher. Câmera cirúrgica, tensão calculada e um domínio quase matemático do espaço. O thriller estrelado por Jodie Foster transformava uma casa em tabuleiro e a claustrofobia em protagonista.


Cada movimento de câmera parecia coreografado para ampliar a sensação de confinamento e paranoia, enquanto o roteiro enxuto explorava o medo primário da invasão doméstica.

A versão brasileira de O Quarto do Pânico, dirigida por Gabriela Amaral Almeidaparte do mesmo conceito, com mãe e filha isoladas dentro de um cômodo de segurança enquanto criminosos invadem a residência, mas adota uma abordagem mais emocional do que arquitetônica. Com Isis Valverde à frente do elenco, o filme aposta na intensidade dramática e na vulnerabilidade da protagonista como principal motor narrativo.

Enquanto o original de Fincher investia em uma mise-en-scène quase labiríntica, explorando cada centímetro da casa com travellings impossíveis e planos-sequência virtuosísticos, a produção brasileira opta por um suspense mais direto, menos estilizado. A tensão existe, mas é construída de maneira mais convencional, apoiada em trilha sonora e confrontos verbais. O foco recai sobre o impacto psicológico da situação, buscando uma identificação mais imediata com o público nacional.


A escolha funciona em parte. Isis entrega uma performance convincente, transmitindo desespero e força materna com naturalidade. No entanto, o filme sente a falta de uma identidade visual mais ousada, justamente o elemento que tornou o longa de Fincher emblemático.

 
No fim, O Quarto do Pânico brasileiro não é uma reinvenção radical, tampouco uma cópia sem alma. É uma releitura que prioriza emoção sobre engenharia cinematográfica. Para quem busca suspense envolvente, funciona. Para quem revisita a sombra de Fincher, talvez deixe a sensação de que faltou apertar um pouco mais o botão da tensão.


A versão brasileira de O Quarto do Pânico está disponível no Telecine. 

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