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Música da noite: o som da ferida aberta
Zombie é um hino nascido da cicatriz, entre guitarras, fantasmas e verdades incômodas.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 24/02/2026 18:58 • Atualizado 24/02/2026 19:01
Música
Zombie é o eco da fúria em distorção cantada por Dolores O’Riordan (Foto: Divulgação)

Há músicas que esquecem de envelhecer e mudam de significado conforme o mundo insiste em repetir seus erros. Zombie, lançada pelo The Cranberries em 1994, surge como um grito cru em meio à névoa do rock alternativo da década, abandonando a delicadeza etérea da banda para mergulhar em guitarras pesadas e uma raiva quase palpável. A voz de Dolores O’Riordan vai além do canto e confronta.


Inspirada na violência do conflito na Irlanda do Norte, a canção transforma tragédia em denúncia sonora. O refrão repetitivo soa como um mantra inquieto, enquanto a distorção cria um ambiente emocional sufocante, como se a música carregasse o peso de memórias que se recusam a desaparecer. Não é apenas protesto, é luto amplificado em volume máximo.

Décadas depois, Zombie continua atravessando gerações porque fala menos sobre um tempo específico e mais sobre ciclos humanos. Em cada nova audição, a faixa lembra que certas feridas históricas permanecem abertas, e que, às vezes, a música é o único lugar onde a dor encontra voz sem pedir permissão.

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