Em 25 de fevereiro de 1943 nascia George Harrison, o mais discreto, e talvez o mais espiritual, integrante dos Beatles. Se John Lennon representava a ruptura e Paul McCartney a melodia perfeita, Harrison foi o equilíbrio silencioso da maior banda da história, responsável por ampliar os horizontes musicais do grupo e introduzir novas sonoridades ao rock ocidental. Nesta quarta-feira (25), ele completaria 83 anos, reafirmando a permanência de uma obra que envelhece sem perder relevância.
A personalidade do “Beatle quieto”
Conhecido como o “Quiet Beatle”, Harrison cultivava uma postura introspectiva em contraste com o furacão midiático que cercava a banda. Reservado, observador e profundamente curioso, ele encontrou na espiritualidade indiana um caminho pessoal e artístico.
Mais do que estilo, sua busca espiritual influenciou diretamente a música pop, ajudando a popularizar instrumentos como o sitar e abrindo espaço para novas experiências sonoras nos anos 1960.
Essa personalidade contemplativa moldou sua forma de compor, com canções menos explosivas, porém carregadas de reflexão, sensibilidade e profundidade emocional.
O talento que floresceu dentro dos Beatles
Durante os primeiros anos da banda, Harrison foi frequentemente ofuscado pela dupla Lennon-McCartney. Ainda assim, seu talento emergiu com força em composições que se tornariam clássicos absolutos, como Something, considerada por muitos críticos uma das mais belas canções de amor já escritas, e Here Comes the Sun, símbolo de esperança e renovação.
Seu maior talento talvez tenha sido justamente o de transformar simplicidade em transcendência. Harrison compunha sem excessos, buscando a essência emocional da música.
A explosão criativa da carreira solo
Após o fim dos Beatles, em 1970, Harrison surpreendeu o mundo ao lançar All Things Must Pass, álbum triplo que revelou uma produção criativa represada durante anos. O disco consolidou sua identidade artística e apresentou sucessos como My Sweet Lord, misturando rock, gospel e espiritualidade em uma linguagem única.

Harrison lançou o disco triplo All Things Must Pass (Foto: Divulgação)
A carreira solo seguiu marcada por experimentações, colaborações e momentos de reinvenção, incluindo o supergrupo Traveling Wilburys, ao lado de Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne. Prova de seu respeito entre gigantes da música.
Obra e legado
George Harrison deixou uma contribuição que vai além da guitarra ou da composição. Ele ajudou a expandir o conceito de música pop como experiência cultural e espiritual, aproximando Oriente e Ocidente em plena era do rock.
Seu legado permanece vivo não apenas nas canções, mas na atitude artística. Com a ideia de que a música pode ser introspectiva sem perder força popular, Harrison mostrou que o protagonismo nem sempre está na vibração mais alta. Às vezes, ele nasce no silêncio, na contemplação e na busca por significado.
Décadas após sua partida, em 2001, suas músicas continuam ecoando como pequenas meditações sonoras. E talvez a maior herança seja lembrar que, mesmo dentro da maior banda do mundo, havia espaço para a delicadeza, para a fé e para a luz que chega depois da tempestade.