O cantor e compositor piauiense Wândalo apresentou seu primeiro álbum de estúdio, eu e o diabo NA TERRA DO SOL, trabalho que combina forró, música eletrônica e linguagem cinematográfica para construir uma leitura contemporânea, e ousada, do Nordeste brasileiro.
Natural de Teresina e atualmente radicado em São Paulo, o artista aposta em uma sonoridade que rompe com os formatos tradicionais do gênero, aproximando o forró de elementos urbanos, tecnológicos e experimentais, sem abandonar suas raízes culturais.
O título do disco dialoga diretamente com o clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Em vez de revisitar a estética marcada pela dureza social do cinema novo, Wândalo propõe um universo próprio, mais vibrante, imaginativo e futurista.
“O disco é minha homenagem a esse titã do nosso cinema e também a construção de um Nordeste laico, livre, tecnológico e diverso”, afirma o artista.
Nesse contexto, a figura do cangaceiro surge como símbolo de transformação e resistência, transportada para um cenário quase sci-fi, onde tradição e fantasia convivem em equilíbrio.
Forró entre raízes e sintetizadores
Musicalmente, o álbum alterna composições autorais e releituras de clássicos do forró, conectando instrumentos tradicionais, como zabumba, sanfona e triângulo, a sintetizadores, programações eletrônicas e texturas digitais.
A produção reúne nomes como Gorfo de Panda, Alana Fox, BM Ally e Jeska, reforçando o caráter híbrido do projeto. O resultado é um som que dialoga tanto com a herança nordestina quanto com pistas de dança e referências pop contemporâneas.
Além da experimentação sonora, Wândalo incorpora ao trabalho sua vivência LGBTQIA+, ampliando a narrativa artística e criando conexões entre identidade, território e cultura.
“É uma viagem rumo a um novo Piauí, onde o tradicional encontra o moderno”, resume.
Estética visual entre sertão e ficção científica
O conceito do álbum também se estende ao visual. A capa foi inspirada nas obras do pintor Nonato Oliveira, conhecido pelos retratos de sertanejos em tons solares intensos. A identidade visual ganhou ilustração e maquiagem assinadas pela drag queen Vanessa Cabessa.
O personagem criado mistura referências do cangaço, arte nordestina, anime e ficção científica, como se o sertão atravessasse um portal para um universo pop e futurista.
Nova geração do forró alternativo
Vivendo em São Paulo, Wândalo integra uma nova geração de artistas que expandem as possibilidades do forró contemporâneo. O músico já passou por casas como Jetreme, Brega Dance Clube e Funilaria Bixiga, além de colaborar com nomes da cena alternativa brasileira e compor para outros intérpretes.
Com eu e o diabo NA TERRA DO SOL, o artista estreia em formato de álbum reafirmando o forró como um gênero em constante transformação, capaz de preservar memórias culturais enquanto projeta novos futuros sonoros.