Depois de seis anos sem lançar um álbum de estúdio, Morrissey está de volta. O ex-vocalista dos Smiths apresentou nessa sexta-feira (6) o novo trabalho “Make-Up Is a Lie”, lançado pela Sire Records e cercado de expectativa por fãs que aguardavam há anos por material inédito do cantor britânico.
O disco chega após um período turbulento na carreira do artista, marcado por projetos adiados, álbuns engavetados e impasses contratuais que atrasaram lançamentos anteriores. Agora, Morrissey retoma a produção musical com um trabalho que aposta em uma estética mais eletrônica, mergulhando no synthpop e em uma atmosfera new wave contemporânea.
Os primeiros indícios dessa nova fase já haviam sido apresentados nos singles “Notre-Dame” e “Make-Up Is a Lie”, que anteciparam o clima sonoro do álbum. Entre os momentos que chamam atenção no repertório está também a releitura de “Amazona”, clássico do Roxy Music, reinterpretado pelo cantor.
Entre os momentos mais instigantes do álbum está “The Monsters of Pig Alley”, faixa que mergulha em uma atmosfera sombria e cinematográfica.
A música dialoga com o imaginário urbano decadente que Morrissey sempre explorou em sua carreira, combinando sintetizadores densos com uma interpretação vocal carregada de ironia e melancolia. O resultado é uma canção que parece caminhar entre o drama teatral e o comentário social, evocando imagens de becos escuros, personagens marginais e a estética noir que frequentemente permeia o universo lírico do cantor.
Já “You’re Right, It’s Time” surge como um dos momentos mais introspectivos do disco. A faixa aposta em uma construção melódica e contemplativa, com arranjos eletrônicos sutis que dão espaço para a voz de Morrissey conduzir a narrativa.
A canção transmite uma sensação de despedida e recomeço ao mesmo tempo, refletindo sobre ciclos pessoais e artísticos. Um tema que ganha ainda mais peso dentro de um álbum que marca o retorno do músico após anos de silêncio discográfico.
No conjunto, “Make-Up Is a Lie” reafirma a capacidade de Morrissey de atravessar décadas mantendo sua identidade artística intacta, mesmo quando decide explorar novas texturas sonoras. Entre sintetizadores elegantes, letras carregadas de ironia e momentos de introspecção melancólica, o álbum soa como um reencontro entre o passado cult do artista e uma tentativa de dialogar com o presente. Para além de um retorno, o disco é também uma reafirmação de estilo.
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐☆