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Poeta do cinema, Bernardo Bertolucci faria 85 anos
Diretor italiano transformou desejo, política e memória em imagens com muita ousadia.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 16/03/2026 06:00
Entretenimento
Bertolucci fez do cinema um território de paixão e reflexão política (Foto: Divulgação)

Se o cinema italiano produziu alguns dos maiores mestres da linguagem cinematográfica, Bernardo Bertolucci ocupa um lugar singular entre eles. Nascido em 16 de março de 1941, em Parma, na Itália, o diretor transformou sua filmografia em um território onde política, erotismo, filosofia e memória histórica convivem com uma estética visual poderosa. Se estivesse vivo, Bertolucci completaria 85 anos nesta segunda-feira, deixando como legado uma obra que atravessa décadas e continua provocando debates e admiração.

Filho do poeta e crítico de cinema Attilio Bertolucci, Bernardo cresceu cercado por literatura e arte. Antes mesmo de completar 25 anos, já havia estreado na direção com “A Morte” (1962), filme que revelou seu olhar sensível para personagens atormentados por conflitos íntimos e sociais. A partir dali, iniciou uma carreira marcada por experimentação estética e profunda reflexão política.

Cinema como política e poesia


Nos anos 1970, Bertolucci consolidou sua reputação internacional com filmes que misturavam narrativa íntima e contexto histórico. Um dos mais impactantes foi “O Último Tango em Paris” (1972), estrelado por Marlon Brando, obra que se tornou ao mesmo tempo um marco do cinema moderno e um dos filmes mais controversos da história, por suas cenas explícitas e pela discussão sobre desejo, solidão e poder.


             Marlon Brando em cena de O Último Tango em Paris (Foto: Divulgação)

Mas foi com “1900” (1976) que Bertolucci ampliou sua ambição narrativa. O épico protagonizado por Robert De Niro e Gérard Depardieu acompanha décadas da história italiana, explorando a luta de classes e a ascensão do fascismo. É um filme monumental que demonstra o talento do diretor para combinar drama pessoal e grande panorama político.


 De Niro e Depardieu em 1900 (Foto: Divulgação)

O triunfo em Hollywood

O ponto máximo de reconhecimento internacional veio com “O Último Imperador” (1987). O filme conta a história de Puyi, último imperador da China, e marcou um momento histórico ao ser o primeiro longa ocidental autorizado a filmar dentro da Cidade Proibida.

A produção conquistou nove Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, além de quatro Globos de Ouro e diversos prêmios internacionais. O triunfo consagrou Bertolucci como um dos poucos cineastas europeus a conquistar Hollywood sem abrir mão de sua identidade autoral.

Filmes essenciais para entender Bertolucci

Para quem deseja mergulhar na obra do diretor, alguns títulos são considerados indispensáveis:

O Último Tango em Paris (1972) – drama intenso sobre desejo e solidão. Disponível para aluguel na Prime Vídeo.

1900 (1976) – épico político sobre a história italiana do século XX. Disponível para assinantes da plataforma Looke.

O Último Imperador (1987) – obra-prima vencedora de nove Oscars. Disponível para assinantes da plataforma Diamond Films.

O Céu que Nos Protege (1990) – viagem existencial pelo deserto africano. Disponível para assinantes da plataforma Diamond Films.

Os Sonhadores (2003) – retrato sensual e nostálgico da juventude durante os protestos de 1968 em Paris. Disponível atualmente apenas na programação rotativa do Telecine Cult


Cada um desses filmes revela uma característica central do cinema de Bertolucci: a capacidade de unir grande beleza visual com reflexões profundas sobre identidade, história e desejo.

Um legado eterno

Bernardo Bertolucci morreu em 2018, aos 77 anos, mas sua influência permanece viva. Seu cinema continua sendo estudado em escolas de cinema e reverenciado por diretores que enxergam em sua obra um exemplo raro de liberdade criativa.

Se Fellini transformou o cinema em sonho e Antonioni em silêncio existencial, Bertolucci fez dele um território de paixão e reflexão política. Seu legado prova que o cinema pode ser, ao mesmo tempo, espetáculo visual e investigação profunda da condição humana.

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