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Flea mergulha no jazz em “Honora” e revisita raízes pessoais
Baixista do Red Hot Chili Peppers lança álbum que mistura memória, identidade e liberdade criativa.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 31/03/2026 06:00
Música
"Honora" chega com experimentação, reverência e encontros improváveis (Foto: Divulgação)

Antes de ser o Flea que o mundo conhece, Flea era apenas Mike, um garoto impactado por um som que parecia atravessar tudo: corpo, mente e espírito. Foi assim, ainda criança, ao ver o padrasto tocar com amigos em casa, que a música deixou de ser apenas ruído e virou destino. O trompete veio primeiro, assim como um encontro improvável com Dizzy Gillespie, que o abraçou sem saber que ali estava um futuro gigante da música.

Décadas depois, esse mesmo impulso ganha forma em Honora, seu primeiro álbum completo dedicado ao jazz, lançado pela Nonesuch Records. O disco não é apenas uma guinada estética, mas um retorno às origens, sonoras e afetivas. O título carrega o nome de sua trisavó irlandesa, enquanto a capa traz uma imagem íntima de sua família, compondo um trabalho que soa como um mapa emocional.

Musicalmente, Honora é um território aberto. Há espaço para experimentação, reverência e encontros improváveis. Entre os nomes que atravessam o disco estão Thom Yorke, Nick Cave e o parceiro de longa data John Frusciante, além do brasileiro Mauro Refosco. Cada colaboração amplia o alcance do álbum, que passeia entre instrumentais densos, releituras e momentos quase confessionais.

A abertura com “A Plea” já indica o tom: uma fala direta, quase íntima, sobre um mundo tensionado, seguida por paisagens sonoras que equilibram sopros, texturas e o baixo sempre pulsante. Em outras faixas, Flea revisita influências como o Funkadelic e artistas mais recentes, como Frank Ocean, criando uma ponte entre gerações.

No fim, Honora não soa como um desvio de rota, mas como uma expansão. Um disco que entende o jazz não como gênero, mas como estado de espírito. Livre, imperfeito, humano. Flea não abandona o que construiu, ele aprofunda. E talvez seja justamente aí que mora sua maior riqueza: na coragem de voltar ao começo sem deixar de seguir adiante.

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