Cazuza completaria 68 anos neste sábado, 4 de abril. Uma alma que escrevia como quem precisava existir mais rápido do que o tempo permitia. Nos anos iniciais com o Barão Vermelho, havia fogo. Canções que atravessavam a noite carioca com suor, exagero e poesia urbana.
“Pro Dia Nascer Feliz” foi além do sucesso e virou o retrato de uma juventude em combustão. Aquela fase tinha guitarras afiadas e uma voz que parecia sempre à beira de alguma atmosfera maior.
Quando seguiu sozinho, o som abriu espaço para outra camada. Menos urgência física, mais exposição emocional. “Exagerado”, “Codinome Beija-Flor”, “O Tempo Não Para”. Cada faixa parecia carregar uma confissão que não cabia mais no silêncio. A persona rebelde continuava ali, mas agora dividia espaço com fragilidade, lucidez e uma coragem rara de olhar para dentro.
A doença veio como ruptura e também como lente. Cazuza não se escondeu. Transformou o corpo em narrativa, a dor em discurso público, a finitude em arte. Sua morte, em 1990, aos 32 anos, não encerrou a presença, ficou a obra. A sensação de que ele viveu tudo em intensidade máxima, como se soubesse que cada verso precisava ser dito agora.