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Filme "Moleques" revisita rebeldia juvenil no fim da escravidão
Curta filmado na Liberdade revisita as maltas de jovens que desafiaram a ordem escravista e transforma história em experiência coletiva.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 10/04/2026 06:00
Entretenimento
Curta "Moleques" revive ruas de resistência em São Luís (Foto: Divulgação)

Antes da abolição virar decreto, São Luís já pulsava em pequenos gestos de ruptura. É esse território pouco contado que o curta Moleques decide ocupar. A produção, que estreia na próxima sexta-feira (17), na Praça do Japão, na Liberdade, transforma pesquisa histórica em imagem viva, devolvendo às ruas personagens que durante muito tempo ficaram à margem dos registros oficiais.

Ambientado em 1888, o filme acompanha as chamadas maltas de moleques, grupos formados por crianças e adolescentes negros, entre escravizados, livres e libertos, que circulavam pela cidade com uma energia difícil de conter. Entre correrias, brincadeiras e confrontos, esses jovens construíam, à sua maneira, espaços de liberdade em meio a uma sociedade marcada pela opressão.

A proposta não é apenas reconstituir um período, mas tensionar a forma como ele costuma ser lembrado. Aqui, a infância não aparece como silêncio ou submissão. Surge inquieta, ruidosa, atravessando ruas e incomodando estruturas que insistiam em controlar corpos e movimentos.


Com 16 minutos de duração, o curta foi gravado no Centro Histórico e carrega no próprio elenco a continuidade dessa história. Os atores são jovens do Quilombo Liberdade, que não apenas interpretam, mas reconhecem naquele passado fragmentos de uma herança ainda presente. A experiência, segundo eles, ultrapassa o cinema e se aproxima de um reencontro com as próprias raízes.


A obra nasce a partir da pesquisa do historiador Roberto Pereira, que investiga essas dinâmicas pouco documentadas da vida urbana no período final da escravidão. Ao levar essa narrativa para o audiovisual, o filme amplia o alcance de um tema que, por muito tempo, ficou restrito aos livros e arquivos.

 
Moleques
não tenta organizar o passado em linhas retas. Prefere mostrar seus ruídos, suas contradições e, sobretudo, sua potência. No fim, o que permanece, além da reconstrução de uma época, é a sensação de que aquelas vozes, antes dispersas, ainda ecoam, agora com mais espaço para serem ouvidas.

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