Quando a seleção oficial parecia fechada, o Festival de Cannes resolveu mexer na engrenagem. Duas semanas após anunciar os títulos da mostra competitiva, o evento incluiu “Paper Tiger”, novo longa de James Gray, na disputa pela Palma de Ouro.
Veterano da Croisette, Gray retorna a um território que já conhece bem. Seus filmes atravessam o festival há décadas, de “Caminho sem volta” ao mais recente “Armageddon Time”, consolidando uma filmografia marcada por personagens em conflito e narrativas densas. Agora, ele reaparece com um projeto que carrega ambição e um elenco de peso.
Protagonizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, o filme acompanha dois irmãos em busca de ascensão nos Estados Unidos, enquanto se veem enredados em uma trama envolvendo a máfia russa. A promessa é de um drama tenso, com o selo autoral que marca o cinema de Gray.
A produção tem assinatura do brasileiro Rodrigo Teixeira, nome frequente em projetos internacionais e já indicado ao Oscar. A parceria com o diretor não é inédita e reforça uma ponte criativa que vem sendo construída ao longo dos anos.
“Paper Tiger” chega a Cannes já com respaldo no mercado: a distribuição será feita pela Neon, responsável por lançar os últimos vencedores da Palma de Ouro, um detalhe que costuma acender o radar para possíveis favoritos.
Com a adição do novo título, a competição ganha mais uma camada de expectativa. Em Cannes, a seleção nunca está completamente fechada, e, às vezes, é justamente no último movimento que o festival encontra seu ponto de tensão mais interessante.