A organização do Oscar anunciou mudanças significativas nas regras de elegibilidade da premiação, com impacto direto na categoria de melhor filme internacional e nas diretrizes sobre o uso de inteligência artificial em produções concorrentes.
A principal novidade está na ampliação das possibilidades de indicação para filmes em língua não inglesa. A partir da edição de 2027, além da tradicional escolha de um representante por país, obras também poderão chegar à disputa ao conquistar prêmios em grandes festivais internacionais, como Cannes, Berlim, Veneza, Sundance, Toronto e Busan. A medida abre espaço para produções que, mesmo fora das seleções oficiais nacionais, ganham destaque no circuito global.
A mudança corrige distorções históricas. Filmes premiados e reconhecidos mundialmente, mas não indicados por seus países de origem, poderão disputar o Oscar. Casos como o de produções consagradas em festivais e que ficaram de fora da corrida internacional devem se tornar menos frequentes com o novo modelo.
Outra alteração importante redefine o reconhecimento na categoria: a estatueta de melhor filme internacional passará a ser concedida diretamente à obra vencedora, e não mais ao país que a inscreveu, como ocorria até então.
A Academia também estabeleceu regras mais rígidas sobre o uso de inteligência artificial. Nas categorias de atuação e roteiro, ficou determinado que os trabalhos devem ser realizados por humanos, numa tentativa de delimitar o espaço da tecnologia em meio às discussões recentes em Hollywood sobre performances geradas artificialmente.
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Além disso, a partir de 2027, atores poderão receber mais de uma indicação na mesma categoria por performances diferentes, rompendo uma prática histórica que limitava a nomeação a apenas um trabalho por artista.
As novas diretrizes entram em vigor para o Oscar 2027, marcado para o dia 14 de março, em Los Angeles, e indicam uma tentativa da Academia de atualizar a premiação diante das transformações do cinema contemporâneo.