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Lilia Cabral assume Rita Lee nos palcos em monólogo teatral
Novo espetáculo mergulha na fase mais íntima e vulnerável da rainha do rock brasileiro, entre memórias, doença e despedidas silenciosas
Por Redação Rádio VB
Publicado em 21/05/2026 19:00 • Atualizado 21/05/2026 19:06
Cultura
A caracterização escolhida para o palco remete à imagem mais recente da cantora (Foto: Divulgação)

A trajetória de Rita Lee continua ecoando nos palcos brasileiros. Após o sucesso de Rita Lee: Uma Autobiografia Musical, estrelado por Mel Lisboa, uma nova produção teatral promete revisitar a vida da artista por outro ângulo: mais introspectivo, delicado e profundamente humano.


Quem assume agora o desafio de interpretar Rita é Lilia Cabral, protagonista de Rita Lee: Balada da Louca, espetáculo que estreia nesta sexta-feira (22) no Teatro FAAP. A peça é baseada em Rita Lee: Outra autobiografia, livro lançado pela cantora em 2023 e escrito durante seus últimos anos de vida.


Diferente de uma celebração explosiva da fase roqueira e irreverente da artista, o monólogo aposta em uma narrativa mais silenciosa e emocional. A montagem percorre o período entre o isolamento da pandemia e o diagnóstico do câncer de pulmão enfrentado por Rita em 2021, explorando pensamentos, memórias e fragilidades de uma das figuras mais emblemáticas da música brasileira.


O texto foi criado por Guilherme Samora, amigo pessoal e editor dos livros de Rita Lee, enquanto a direção geral e adaptação ficaram sob responsabilidade de Beatriz Barros. A direção musical é assinada por Dani Nega, e os figurinos levam a assinatura do estilista Walério Araújo.


Para construir a personagem, Lilia Cabral mergulhou literalmente no universo íntimo da cantora. A atriz visitou a casa onde Rita viveu os últimos anos ao lado de Roberto de Carvalho e descreveu a experiência como profundamente comovente.


Segundo Lilia, o ambiente permanece praticamente intacto, preservando objetos, anotações e detalhes que revelam traços da personalidade da artista. A atriz contou ter ficado impressionada com a quantidade de memórias espalhadas pela residência e com a forma como Rita transformava objetos cotidianos em pequenos relicários afetivos.


A caracterização escolhida para o palco remete à imagem mais recente da cantora: cabelos brancos, óculos redondos e elementos amarelos no figurino ajudam a reconstruir a figura serena, irônica e afetiva que Rita passou a projetar em seus últimos anos.


A estreia também carrega um simbolismo especial. O dia 22 de maio era tratado por Rita Lee como seu “aniversário fictício”, uma espécie de celebração pessoal criada pela artista ao longo da vida.

 
Com apoio da família da cantora, o espetáculo ficará em cartaz até 28 de junho, com sessões de sexta a domingo no Teatro FAAP, em São Paulo. Mais do que uma homenagem convencional, Balada da Louca surge como uma tentativa de aproximar o público da mulher por trás do mito, em um retrato que mistura humor, melancolia e despedida.

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