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Música da noite: Charly, Caetano e o tecnicolor rosarino
Postais de uma psicodelia rioplatense nessa parceria explosiva entre Caetano e Fito Paez.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 04/06/2026 19:20 • Atualizado 04/06/2026 19:20
Música
Mariposa tecknicolor funciona em voo livre pela memória com Fito e Caetano (Foto: Reprodução)

Buenos Aires dorme sob o asfalto úmido dos anos noventa enquanto Fito Páez sintoniza a estática de uma TV de tubo. Desse ruído branco brota a urgência, uma infância em Rosário que já não existe, filmada em um Super-8 mental que roda rápido demais. Ao somar Caetano Veloso, a melancolia puramente argentina sofre uma mutação. O trópico interrompe o inverno portenho para injetar uma cadência de bossa torta e contracultural, transformando o hino de explosão pop em um ritual de desapego luminoso.


Não se trata de nostalgia barata para cantar em estádios, mas de uma colagem de vanguarda. A borboleta tecnicolor não voa sobre flores, mas sobre os escombros de uma América Latina que se privatiza e se fragmenta. É um artefato estético que devora a tradição para cuspir lampejos de modernidade analógica. A voz de Caetano entra como o fantasma do Tropicalismo que vem lembrar que a alegria, mesmo no fim do mundo, continua sendo uma trincheira política.


No fim das contas, esse curto-circuito entre Rosário e Bahia opera como um manifesto sobre o efêmero. Entre pianos desbocados e o fraseio quase falado do baiano, a canção se converte no registro de um instante fugaz. O brilho de um inseto antes de colidir contra o para-brisa da história. Fica flutuando no ar uma verdade incômoda e belíssima. Toda beleza é, por definição, um acidente geográfico e temporal que nunca mais vai se repetir.

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