Para quem moldou a espinha dorsal do indie rock nos anos 80 dedilhando melodias cristalinas na Manchester cinzenta dos Smiths, o tempo costuma ser um aliado confortável. Mas Johnny Marr nunca foi um artista de se escorar na nostalgia. Aos 62 anos, o guitarrista continua operando com a urgência de um jovem de vinte que acabou de descobrir a distorção. O anúncio de seu novo álbum de estúdio, The Age Of Everything, agendado para o dia 2 de outubro de 2026, é mais um manifesto dessa inquietação crônica.
O cartão de visitas dessa nova era atende pelo nome de "Spin", o primeiro single que acaba de ser lançado. A julgar pelo título do disco e pela urgência da nova faixa, Marr parece mergulhar em uma reflexão sobre a velocidade e o acúmulo de estímulos do tempo. Uma era onde "tudo" acontece ao mesmo tempo, o tempo todo.
Históricamente, a carreira solo do músico sempre tencionou o passado e o presente. O brilho das guitarras Jangle (sua marca registrada) colidindo com sintetizadores modernos, batidas herdeiras da Madchester e uma parede de som enérgica e polida. Em "Spin", essa assinatura se renova, mostrando que sua capacidade de criar refrões marcantes sob camadas de texturas continua intacta.
The Age Of Everything chega com a responsabilidade de suceder o aclamado álbum duplo Fever Dreams Pts 1-4 (2022) e a coletânea comemorativa Spirit Power (2023). O lançamento é a prova de que a mente por trás de clássicos imortais não perdeu o faro para o zeitgeist. Enquanto o mundo gira cada vez mais rápido,Johnny Marr continua sendo o norte magnético da guitarra alternativa, lembrando que, não importa quão caótico o futuro pareça, ele sempre soa melhor se houver um mestre tecendo melodias ao fundo.