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Sci-fi brasileiro reflete sobre fé e intolerância
A Canção do Planeta Prometido mistura fantasia, ciência e filosofia para discutir os impactos do extremismo e da convivência entre diferentes visões de mundo.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 11/07/2026 17:26 • Atualizado 11/07/2026 17:26
Entretenimento
Na trama, a sociedade de Kor vive dividida entre dois grupos antagônicos (Foto: Divulgação)

A ficção científica ganha contornos filosóficos e contemporâneos em "A Canção do Planeta Prometido", novo romance de Antonio Alleoni Corrêa de Godoy. Ambientada em um planeta fictício chamado Kor, a obra utiliza um universo repleto de fantasia e elementos sobrenaturais para discutir temas que marcam o mundo atual, como polarização política, intolerância, racismo e radicalização ideológica.

Na trama, a sociedade de Kor vive dividida entre dois grupos antagônicos. De um lado estão os Piedosos, seguidores de Trondoll, considerado uma figura messiânica. Do outro, os Racionais Iluminados, que defendem a ciência e a evolução natural como base para a organização da civilização.


Enquanto o conflito entre as duas correntes se intensifica, o planeta passa a enfrentar terremotos, maremotos e outras catástrofes ambientais que colocam em risco a sobrevivência da população.


Conflito vai além da religião e da ciência


A narrativa apresenta uma sociedade em que o crescimento do ódio coletivo parece influenciar diretamente o equilíbrio da natureza. À medida que a intolerância se espalha, personagens que defendem o diálogo tentam impedir que a disputa evolua para um genocídio.


Entre eles estão o Sumo Sacerdote Daxxtor, representante da Igreja de Trondoll, e o cientista Jeb, que, apesar de pertencerem a lados opostos do conflito, compartilham um segredo capaz de transformar completamente a história do planeta.


Ao longo da obra, telepatia, mutações genéticas e disputas políticas se unem para construir uma narrativa em que a degradação moral da sociedade provoca consequências que ultrapassam o campo das ideias e afetam o próprio ambiente em que seus habitantes vivem.


Reflexão sobre os extremos


Inspirado por autores como Frank Herbert, H. G. Wells, Arthur C. Clarke, Joseph Campbell, Carl Gustav Jung e Pierre Teilhard de Chardin, Antonio Alleoni utiliza a ficção científica como ferramenta para refletir sobre os efeitos da incapacidade de diálogo em sociedades cada vez mais divididas.


Ao contrário da oposição tradicional entre ciência e religião, o romance propõe que ambas possam coexistir e colaborar para enfrentar desafios comuns, sugerindo que a sobrevivência coletiva depende da construção de pontes entre diferentes formas de pensar.


Autor reúne ciência e espiritualidade


Formado em Física pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Antonio Alleoni Corrêa de Godoy também estudou Teologia e Parapsicologia. Em "A Canção do Planeta Prometido", seu terceiro livro publicado, o autor reúne esses diferentes campos do conhecimento para construir uma narrativa que combina entretenimento e reflexão.


Segundo o escritor, a principal mensagem da obra é um convite à convivência e ao diálogo em tempos de crescente radicalização.

"Somente a concórdia pode unir uma humanidade tão desunida e belicosa", resume Antonio Alleoni.

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