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Nascimentos, rupturas e despedidas no mundo do rock em 20 de julho
A data reúne Santana, Chris Cornell, Ramones, Bob Dylan e Chester Bennington em uma travessia por diferentes épocas da música.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 20/07/2026 06:00
Música
O 20 de julho carrega fragilidade, perda e humanidade no universo do rock (Foto: Reprodução)

Poucas datas conseguem acomodar tantos sotaques do rock quanto 20 de julho. No mesmo calendário cabem a guitarra espiritual de Carlos Santana, o peso emocional de Chris Cornell, a inquietação de Bob Dylan e a urgência dos Ramones.


É um daqueles dias em que a história da música parece embaralhar celebração e luto, como se lembrasse que o gênero sempre viveu entre o nascimento de novas possibilidades e a ausência deixada por quem partiu cedo demais.

Do rock sinfônico à geração grunge


A sequência de aniversários começa em 1945, com o nascimento de John Lodge, baixista, cantor e compositor do The Moody Blues. Sua trajetória está ligada à expansão dos limites do rock britânico, especialmente quando a banda passou a incorporar elementos sinfônicos e psicodélicos em discos fundamentais como “Days of Future Passed”.

Dois anos depois, em 1947, nascia Carlos Santana. Dono de uma sonoridade reconhecível em poucos segundos, o guitarrista aproximou o blues e o rock das raízes latinas, criando uma linguagem própria. Sua apresentação no Festival de Woodstock, em 1969, ajudou a transformar aquela guitarra sustentada, quase em estado de transe, em uma assinatura mundial.

O dia também celebra Jay Jay French, nascido em 1952 e fundador do Twisted Sister, banda que levou irreverência, teatralidade e guitarras pesadas à explosão do hard rock dos anos 1980. Em 1953 nasceu Dave Evans, primeiro vocalista do AC/DC, cuja breve passagem antecedeu a chegada de Bon Scott e a consolidação do grupo australiano.


Paul Cook, baterista dos Sex Pistols, nasceu em 1956. Sem excessos técnicos, mas com precisão e impacto, ele ajudou a estabelecer a pulsação de um grupo que desmontou convenções e transformou o punk britânico em provocação cultural.

A data ainda conecta dois nomes essenciais da cena de Seattle. Chris Cornell, nascido em 1964, deu ao Soundgarden uma voz capaz de carregar força, vulnerabilidade e vertigem. Dois anos depois, em 1966, nasceu Stone Gossard, guitarrista do Pearl Jam e peça decisiva na construção do som que levou o grunge para além do circuito alternativo.


Dylan muda o eixo da canção popular


Em 20 de julho de 1965, Bob Dylan lançou “Like a Rolling Stone”, a música que representou uma ruptura. Com cerca de seis minutos, versos cortantes, órgão hipnótico e uma estrutura pouco convencional para o rádio da época, a faixa ampliou o que uma canção de rock poderia dizer, e por quanto tempo poderia dizê-lo.


Dylan eletrificou sua música e deslocou o centro de gravidade da composição popular, aproximando o rock da literatura, da ironia e de personagens atravessados pela desilusão. Depois daquele lançamento, escrever uma canção deixou de significar necessariamente oferecer respostas fáceis ou refrões confortáveis.

Joey Ramone encontra seu lugar diante do microfone

Outro momento decisivo aconteceu em 20 de julho de 1974. Foi quando Joey Ramone deixou a bateria para assumir os vocais dos Ramones. A mudança ajudou a definir uma das imagens mais reconhecíveis do punk: o cantor alto, curvado diante do microfone, escondido atrás dos cabelos e de óculos escuros.

A bateria passou para Tommy Ramone, enquanto Joey encontrou na voz um território singular. Sua interpretação misturava fragilidade, humor e estranhamento, elementos essenciais para canções que pareciam simples, mas carregavam uma sensibilidade particular sob as guitarras aceleradas.

Sete anos depois, em 1981, os Ramones lançaram “Pleasant Dreams”. Produzido por Graham Gouldman, do 10cc, o álbum buscou aproximar o grupo de uma sonoridade mais acessível sem abandonar as melodias rápidas e a ironia habitual.


O disco também refletia as tensões internas de uma banda que, mesmo cercada por conflitos, continuava produzindo hinos de dois ou três minutos.

Sid Vicious chega às telas

Em 1986, a história do punk ganhou uma versão cinematográfica com “Sid and Nancy”, disponível na plataforma PLEX, dirigido por Alex Cox. O filme acompanha a relação turbulenta entre Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols, e Nancy Spungen, transformando a decadência do casal em um retrato sombrio de amor, dependência e autodestruição.

Gary Oldman entregou uma interpretação intensa de Sid, evitando reduzi-lo a uma caricatura do punk. Embora a fidelidade histórica do longa tenha sido questionada por pessoas próximas aos personagens, “Sid and Nancy” permaneceu como uma das representações mais influentes — e controversas — daquela cena.

O mesmo 20 de julho de 1986 ainda reservou uma passagem quase folclórica nos bastidores: Ed Leffler, empresário do Van Halen, teria sido agredido por um desconhecido. No ano seguinte, Mick Jagger estava em Nova York gravando o videoclipe de “Let’s Work”, faixa de sua carreira solo marcada pela estética vistosa e pelo espírito declaradamente oitentista.

Uma perda nos bastidores do som


Em 1977, o produtor e engenheiro de áudio Gary Kellgren morreu afogado em uma piscina. Cofundador do Record Plant, ele esteve envolvido em trabalhos de artistas como Jimi Hendrix, John Lennon, George Harrison e Patti Smith.


Kellgren pertence àquela categoria de personagens que raramente aparecem no centro do palco, mas ajudam a determinar como uma época será lembrada. Seu trabalho nos estúdios participou da construção da textura sonora de discos que atravessaram gerações.


O silêncio deixado por Chester Bennington


Quatro décadas depois, o 20 de julho voltou a ser marcado por uma perda devastadora. Em 2017, morreu Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, aos 41 anos.


Sua voz transitava entre o grito e a confissão, traduzindo angústias que uma geração inteira tinha dificuldade de nomear. No Linkin Park, Bennington ajudou a transformar solidão, ansiedade, raiva e inadequação em canções de alcance mundial, sem retirar delas a sensação de intimidade.

 
Assim, o calendário do rock chega ao fim do dia dividido entre celebração e saudade. Em 20 de julho nasceram músicos que mudaram a guitarra, o punk, o grunge e o rock sinfônico. Também surgiram discos, canções e filmes que desafiaram seu tempo. Mas a data carrega ainda os silêncios de Gary Kellgren e Chester Bennington, lembrando que, por trás do volume, sempre existiram fragilidade, perda e humanidade.

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