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Um ano sem Ozzy, e o príncipe ainda reina
Ozzy Osbourne deixou uma voz irrepetível e um legado que continua assombrando, no melhor sentido, a cultura popular
Por Redação Rádio VB
Publicado em 22/07/2026 06:00
Música
Ozzy continuará vivo sempre que um riff pesado abrir uma fresta no cotidiano (Foto: Divulgação)

Há um ano, o rock perdia sua figura mais improvável. Ozzy Osbourne faleceu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, apenas 17 dias depois de se despedir dos palcos ao lado da formação original do Black Sabbath, em Birmingham. Sentado em um trono negro, debilitado pela doença de Parkinson, ele ainda parecia governar o território que ajudou a inventar. A morte encerrou uma vida, não conseguiu, porém, silenciar aquele timbre que soava como um chamado vindo do outro lado da parede.


Antes de Ozzy, a música pesada já conhecia volume, distorção e rebeldia. Com ele, ganhou assombro. Em faixas como “Black Sabbath”, “War Pigs”, “Paranoid” e “Children of the Grave”, sua voz deslizava sobre os riffs de Tony Iommi e caminhava entre eles como um personagem perdido numa paisagem industrial. Era o som de Birmingham transformado em presságio,. Fábricas, fuligem, guerra, paranoia e uma juventude sem horizonte convertidas em matéria estética.

A carreira solo provou que sua presença não dependia apenas do Sabbath. “Crazy Train”, “Mr. Crowley”, “No More Tears” e “Mama, I’m Coming Home” revelaram outras camadas daquele homem vendido ao público como criatura das trevas. Havia melodrama, humor, fragilidade e uma estranha ternura por trás da caricatura.


Ozzy podia encarnar o príncipe da escuridão e, logo depois, surgir como pai desastrado diante das câmeras. O paradoxo nunca o enfraqueceu, tornou-o ainda mais humano.


Também por isso sua ausência permanece difícil de assimilar. Ozzy não era um virtuose convencional nem um intérprete de acabamento impecável. Era algo mais raro, uma voz que não poderia pertencer a outra pessoa. Bastavam poucos segundos para reconhecê-lo. Em uma indústria inclinada a fabricar réplicas, ele sobreviveu justamente por ser impossível de corrigir.

Nesta quarta-feira, 22 de julho, o primeiro ano de sua morte até evita o silêncio, e pede volume. Ozzy continua vivo sempre que um riff pesado abre uma fresta no cotidiano e nos conduz novamente àquela zona em que medo, ironia e beleza convivem. O corpo deixou o palco, o eco, como toda boa assombração, decidiu ficar.

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