Histórias de metamorfoses, seres encantados e mistérios preservados pela tradição oral maranhense chegam ao palco do Teatro Itapicuraíba, no Anjo da Guarda, nesta sexta-feira (24). Às 17h, o Grupo Narraiz realiza a última apresentação da circulação do espetáculo “Bicho que vira gente, gente que vira bicho”, com entrada gratuita.
A sessão encerra a programação do projeto Nas Águas do Itaqui, que percorreu comunidades de São Luís e São José de Ribamar ao longo de julho. A iniciativa reuniu apresentações teatrais, contação de histórias e atividades de formação artística, aproximando diferentes públicos das narrativas e dos saberes populares do Maranhão.
Principal criação do Grupo Narraiz, “Bicho que vira gente, gente que vira bicho” mergulha no universo dos “engerados”, seres que, segundo o imaginário popular, assumem formas humanas ou animais. A montagem combina contação de histórias, música e teatro de formas animadas para recriar relatos de encantarias, transformações e acontecimentos misteriosos transmitidos oralmente entre gerações.
O espetáculo parte de contos ancestrais e valoriza uma memória coletiva construída por meio das histórias contadas em comunidades maranhenses. Ao reunir elementos cênicos e musicais, a obra estabelece um diálogo entre a tradição oral e a linguagem teatral contemporânea.
Circulação pelas águas da Baía de São Marcos
O projeto Nas Águas do Itaqui nasceu de uma pesquisa desenvolvida durante a criação do espetáculo. Segundo a atriz Mariana Madeira, integrante do Grupo Narraiz, o ponto de partida foi a aproximação do coletivo com a figura do rei Dom Sebastião e sua relação simbólica com a região Itaqui-Bacanga.
“A partir daí surgiu o desejo de construir uma circulação que percorresse esse território, entendendo também São José de Ribamar como parte das águas confluentes da nossa baía”, explica a atriz.
A proposta foi levar as atividades culturais para espaços comunitários localizados em territórios conectados pela Baía de São Marcos. Para o grupo, a circulação representa um momento importante de sua trajetória e reafirma a necessidade de descentralizar o acesso às produções artísticas.
“Mais do que levar o público até um teatro, faz muito sentido levar o teatro até os territórios, ocupando espaços comunitários e ampliando o acesso às atividades culturais. Essa é justamente uma das potências das políticas públicas de cultura”, destaca Mariana Madeira.
Além das apresentações, a programação incluiu a oficina “SarMinina – práticas de brincadeira e canção”, ministrada pela atriz Emanuele Paz. A atividade trabalhou experiências relacionadas à música, ao corpo, às brincadeiras e às manifestações da cultura popular.
Grupo une narrativa e tradição
Formado por atrizes que se conheceram durante o curso de Teatro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o Grupo Narraiz tem a contação de histórias como base de sua pesquisa artística.
O nome do coletivo combina as palavras “narrar” e “raiz” e traduz sua ligação com as diferentes historicidades brasileiras e com a permanência das tradições orais. Em seus trabalhos, o grupo reúne contos tradicionais e narrativas contemporâneas, incorporando música, elementos visuais e teatro de formas animadas.
O projeto Nas Águas do Itaqui também contempla o lançamento da publicação “A Sereia de Itacolomi”, ampliando o diálogo entre literatura, oralidade e teatro.
A iniciativa foi viabilizada pelo Edital de Chamamento Público nº 006/2025 – Fomento aos Núcleos Artísticos, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Serviço
O quê: espetáculo “Bicho que vira gente, gente que vira bicho”
Quando: sexta-feira, 24 de julho, às 17h
Onde: Teatro Itapicuraíba, no Anjo da Guarda, em São Luís
Entrada: gratuita
Mais informações: Instagram @gruponarraiz
Publicação “A Sereia de Itacolomi”: acesse aqui