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“Peixe Grande”: os pais também vivem nas histórias que deixam
Filme de Tim Burton faz a difícil reconciliação entre pai e filho virar um delicado conto sobre memória, afeto e legado.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 09/08/2026 11:11 • Atualizado 09/08/2026 11:12
Entretenimento
Em Peixe Grande, Tim Burton troca a estranheza por uma fantasia iluminada (Foto: Divulgação)

Certos pais contam a própria vida por meio de datas, lugares e acontecimentos precisos. Edward Bloom preferiu gigantes, bruxas, circos, cidades escondidas e peixes impossíveis de capturar. Durante anos, suas aventuras encantaram todos ao redor, menos o filho Will, cansado de nunca saber onde terminava a verdade e começava a invenção.


Em “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, Tim Burton troca a estranheza sombria de parte de sua filmografia por uma fantasia iluminada, embora atravessada pela proximidade da morte. Quando Edward adoece, Will retorna à casa da família disposto a descobrir quem era o homem por trás das histórias repetidas desde sua infância.

Billy Crudup interpreta o filho que procura fatos, enquanto Albert Finney encarna o pai envelhecido e ainda protegido pelas próprias lendas. Nas lembranças, Ewan McGregor assume o papel do jovem Edward Bloom, personagem que atravessa o mundo com uma confiança quase ingênua, como se toda dificuldade fosse apenas o início de outra aventura.

O conflito entre os dois nasce de uma pergunta incômoda: é possível conhecer alguém apenas pela verdade objetiva? Will acredita que o pai usou a fantasia para evitar qualquer intimidade. Edward, por outro lado, parece convencido de que suas histórias revelam muito mais sobre ele do que uma biografia convencional seria capaz de mostrar.

Burton entende que a memória familiar nunca é inteiramente confiável. Ela aumenta feitos, reorganiza dores e transforma pessoas comuns em personagens maiores do que a vida. Os relatos de Edward podem não ter acontecido exatamente como ele conta, mas guardam sua maneira de amar, enfrentar o medo e deixar algo de si para o filho.

No Dia dos Pais, “Peixe Grande” oferece uma reflexão distante das homenagens prontas. O filme fala sobre o tempo perdido entre duas pessoas que se amam, mas não conseguem falar a mesma língua. A reconciliação surge quando o filho deixa de interrogar o pai e, finalmente, aceita entrar em sua narrativa.

Disponível na HBO Max, o longa permanece como uma das obras mais afetuosas de Tim Burton. Um conto sobre perceber, talvez tarde demais, que alguns pais não desaparecem, continuam vivendo nas histórias que ensinamos aos outros a contar.

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