Google Analystic
Lanternas acende uma luz sombria sobre o novo universo da DC
Primeiro episódio aposta no mistério e na tensão, em uma narrativa menos interessada no espetáculo fácil dos super-heróis.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 17/08/2026 13:25 • Atualizado 17/08/2026 13:25
Entretenimento
Lanternas tem uma abertura paciente, sombria, próxima de um suspense policial (Foto: Divulgação)

A estreia de Lanternas, assistida pela equipe da Rádio VB, deixa clara uma escolha pouco convencional para apresentar os policiais cósmicos da DC. Em vez de começar com uma avalanche de efeitos visuais, a série prefere uma pequena cidade, um crime cercado de perguntas e dois protagonistas que ainda não aprenderam a trabalhar juntos. É uma abertura paciente, sombria e mais próxima de um suspense policial do que das tradicionais aventuras de super-heróis.


O primeiro episódio percorre diferentes momentos da trajetória de Hal Jordan e John Stewart até conduzi-los à investigação de um acontecimento ligado a uma presença alienígena em Rushville, Nebraska. A montagem temporal exige atenção, mas evita que a apresentação dos personagens fique presa a longas explicações sobre anéis, juramentos e o funcionamento da Tropa dos Lanternas Verdes. O capítulo aposta na ideia de que há algo profundamente errado naquela comunidade e transforma a sensação de ameaça em seu melhor recurso.


Dois heróis em rota de colisão


Kyle Chandler compõe um Hal Jordan envelhecido, arrogante e desgastado pela própria história. O personagem carrega a experiência de quem já viu demais, mas também a imprudência de alguém acostumado a agir sem prestar contas. Chandler evita interpretar o veterano como uma figura simplesmente sábia: seu Hal é difícil, contraditório e, em determinados momentos, desagradável.


Aaron Pierre trabalha no sentido oposto. Seu John Stewart tenta controlar cada gesto, como se disciplina e silêncio fossem suficientes para manter o passado à distância. A contenção do ator inicialmente pode parecer fria, mas começa a revelar um personagem que observa antes de reagir. O contraste com Hal fornece a principal energia dramática do episódio.


A relação entre os dois funciona porque não nasce como uma parceria harmoniosa. Existe desconfiança, competição e uma diferença evidente na maneira como cada um compreende autoridade e responsabilidade. A série parece menos interessada em descobrir qual deles é o “melhor” Lanterna e mais curiosa sobre o que ambos escondem.


A comparação com True Detective


A aproximação com True Detective não é apenas promocional. Está presente nas estradas vazias, na paisagem rural, nos interrogatórios e na atmosfera de uma cidade construída sobre segredos. O problema é que a influência aparece com tanta nitidez que, em alguns momentos, Lanternas parece vestir uma roupa emprestada.


A direção adota uma sobriedade eficiente, mas corre o risco de diminuir justamente o elemento que diferencia a produção de qualquer outro drama criminal: sua dimensão cósmica. O episódio encontra bons momentos quando o extraordinário invade discretamente o cotidiano. Quando tenta ser apenas uma investigação policial “adulta”, perde parte da personalidade.


Também há passagens destinadas a posicionar personagens secundários e conflitos futuros que soam mais funcionais do que orgânicas. Ainda assim, o capítulo consegue terminar com uma reviravolta forte, capaz de reorganizar aquilo que o público imaginava estar assistindo. O desfecho confirma que a investigação em Rushville é apenas a superfície de uma história maior.


O que esperar da temporada


Os próximos episódios deverão aprofundar as circunstâncias que levaram Hal e John até Rushville, além de explorar as consequências do impacto deixado pelo final da estreia. A relação entre mentor e aprendiz tende a funcionar como eixo emocional de uma trama que envolve legado, poder e os limites da obediência.

Também será necessário encontrar maior equilíbrio entre o realismo policial e a mitologia dos Lanternas Verdes. A primeira hora mostra que a série sabe construir atmosfera e personagens, mas ainda precisa provar que essa linguagem comporta a escala fantástica prometida pelo universo da DC.


O começo é seguro, embora não revolucionário. Chandler e Pierre sustentam o episódio com atuações complementares, enquanto o mistério cria razões suficientes para voltar na semana seguinte. Se conseguir escapar da sombra de suas referências e permitir que o estranho ganhe espaço, Lanternas poderá ser mais do que uma versão cósmica de True Detective.


A temporada terá oito capítulos, lançados semanalmente aos domingos, às 22h, na HBO e na HBO Max. O segundo episódio chega em 23 de agosto, enquanto o encerramento está previsto para 4 de outubro.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!