Shania Twain completa 61 anos nesta sexta-feira, 28 de agosto, com um legado que vai muito além dos números impressionantes de vendas. A artista canadense ajudou a retirar o country de seus limites tradicionais, vestindo o gênero com a produção grandiosa do pop, a energia do rock e uma confiança feminina que soava quase provocativa nos anos 1990.
A transformação ganhou força com The Woman in Me, de 1995, mas atingiu dimensão global em Come On Over, lançado dois anos depois. “You’re Still the One”, “That Don’t Impress Me Much” e “Man! I Feel Like a Woman!” não eram apenas canções bem construídas: funcionavam como pequenos espetáculos, guiados por refrões imediatos, ironia e uma personalidade impossível de confundir.
Havia também uma ruptura visual. Shania trocou a rigidez associada a Nashville por estampas de leopardo, videoclipes cinematográficos e uma sensualidade conduzida nos próprios termos. Parte da crítica country torceu o nariz, como costuma acontecer quando alguém desmonta as fronteiras de um gênero. O público, entretanto, reconheceu ali uma linguagem nova e respondeu em escala mundial.
Por trás do brilho, sua trajetória atravessou pobreza, perdas familiares, problemas vocais e longos períodos longe dos palcos. O retorno não teve o sabor artificial de uma tentativa de reviver o passado, mas o peso de quem precisou reaprender a ocupar a própria voz, literalmente.
Aos 61, Shania Twain permanece como uma figura singular. Country demais para ser apenas pop, pop demais para caber na ortodoxia country. Talvez esteja justamente nessa inadequação calculada a razão de sua permanência. Ela não pediu licença para atravessar fronteiras; abriu a porteira e transformou a estrada em palco.