A Momentary Lapse of Reason completa 39 anos nesta segunda-feira (7) carregando o peso de uma pergunta que parecia impossível em 1987. O Pink Floyd ainda poderia existir sem Roger Waters? David Gilmour respondeu assumindo o comando de uma banda em reconstrução, mais interessada em avançar do que em disputar a autoria do próprio passado.
O disco soa como produto inequívoco dos anos 1980. Baterias amplificadas, sintetizadores, reverberações monumentais e uma produção quase arquitetônica substituem parte da tensão conceitual que Waters havia levado ao limite em The Wall e The Final Cut. Às vezes, o acabamento excessivo deixa as canções distantes, em outras, abre paisagens perfeitas para a guitarra de Gilmour respirar.
“Learning to Fly” tornou-se a declaração central dessa retomada. Fala sobre abandonar o chão enquanto a própria banda tentava reaprender a voar. “On the Turning Away” recupera uma dimensão humanista, e “Sorrow” encerra o álbum com uma guitarra colossal, surgindo como tempestade sobre um mundo desgastado.
Nick Mason teve participação limitada, enquanto Richard Wright retornou inicialmente como músico contratado, circunstâncias que alimentaram a leitura de que se tratava de um disco solo de Gilmour disfarçado de Pink Floyd. Ainda assim, A Momentary Lapse of Reason cumpriu seu papel histórico: devolveu o grupo aos grandes palcos e abriu uma segunda vida para sua música.
Aos 39 anos, o álbum continua irregular, datado e fascinante. Não possui a coesão dos clássicos da década anterior, mas guarda o som de uma banda recusando o próprio funeral. Entre máquinas, névoa e guitarras, o Pink Floyd encontrou uma forma de continuar, mesmo que já fosse outro.