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Filha de Kubrick nega teorias sobre cenas cortadas em “De Olhos Bem Fechados”
Vivian Kubrick afirma nunca ter encontrado evidências dos supostos 20 minutos retirados do filme e rejeita ligação da obra com Jeffrey Epstein
Por Redação Rádio VB
Publicado em 08/09/2026 17:45 • Atualizado 08/09/2026 17:45
Entretenimento

Uma das teorias mais persistentes sobre “De Olhos Bem Fechados” voltou ao debate quase três décadas depois do lançamento do filme. Vivian Kubrick, filha do diretor Stanley Kubrick, pronunciou-se sobre o rumor de que aproximadamente 20 minutos teriam sido retirados da montagem após a morte do cineasta.

Em uma declaração publicada no X, Vivian afirmou que nunca ouviu falar desse material durante a produção nem encontrou posteriormente qualquer registro capaz de comprovar sua existência. A teoria sustenta que as imagens mostrariam crimes praticados por pessoas poderosas e, em versões mais recentes, passaram a ser associadas a Jeffrey Epstein.


Não existe evidência pública de que Kubrick tenha filmado essas sequências ou de que o longa tenha qualquer relação direta com Epstein. A proximidade entre o conteúdo do filme e escândalos posteriores envolvendo elites econômicas ajudou, contudo, a manter a especulação viva na internet.


Trama sobre poder e desejo alimentou especulações


Lançado em 1999, “De Olhos Bem Fechados” acompanha Bill Harford, médico interpretado por Tom Cruise. Depois de ouvir da esposa, Alice, vivida por Nicole Kidman, a confissão de uma fantasia extraconjugal, ele inicia uma jornada noturna por uma Nova York de aparência onírica.


        Tom Cruise e Nicole Kidman em cena do filme “De Olhos Bem Fechados” (Foto: Divulgação)


O percurso leva Bill a uma reunião secreta frequentada por homens ricos e influentes, marcada por máscaras, rituais e encontros sexuais. O ambiente de ameaça e o silêncio mantido pelos participantes fizeram o filme ser reinterpretado, ao longo dos anos, como uma suposta denúncia sobre sociedades clandestinas.


As comparações com Epstein surgiram muito tempo depois. O criminoso foi condenado em 2008 por um delito sexual envolvendo uma adolescente e voltou a ser preso em 2019, acusado de comandar uma rede de tráfico sexual. Ele morreu na prisão naquele mesmo ano.


A trama de Kubrick, entretanto, não nasceu desses acontecimentos. O roteiro adapta “Breve Romance de Sonho”, obra do escritor austríaco Arthur Schnitzler publicada em 1926.


Vivian diz que não conhece material sobrevivente


Vivian Kubrick explicou que o pai tinha o hábito de destruir cenas descartadas depois de concluir seus filmes. A medida impediria que os estúdios utilizassem o material para produzir remontagens ou versões alternativas sem a autorização do diretor.


Ela declarou não conhecer nenhuma cópia, registro ou documento que confirme a existência dos alegados 20 minutos. A ausência de provas não permite afirmar categoricamente que nenhuma cena adicional tenha sido filmada, mas enfraquece a hipótese de uma sequência secreta preservada e retirada deliberadamente.


Compositora e colaboradora do pai em produções anteriores, Vivian foi inicialmente convidada a trabalhar na música de “De Olhos Bem Fechados”, mas não participou da trilha final. Após a morte do cineasta, passou a acompanhar discussões relacionadas à preservação de sua obra.


A filha de Kubrick também demonstrou desconfiança em relação a testemunhos surgidos muitos anos depois da produção. Para ela, recordações tardias, sem documentos ou imagens que as sustentem, não podem ser tratadas como comprovação.


Filme estava com imagem finalizada antes da morte do diretor


Kubrick apresentou a Tom Cruise, Nicole Kidman e executivos da Warner Bros. uma versão fechada do filme em 1º de março de 1999. Seis dias depois, morreu vítima de um ataque cardíaco, aos 70 anos.


O curto intervalo entre a apresentação e sua morte tornou-se um dos principais combustíveis da teoria. Parte do público passou a suspeitar que o estúdio teria alterado a obra sem a supervisão do diretor.


O editor Nigel Galt, que trabalhou no longa, nega que 20 minutos tenham sido removidos e sustenta que a versão lançada correspondia à montagem concluída por Kubrick. A principal alteração conhecida ocorreu na edição norte-americana: figuras digitais foram inseridas diante de alguns atos sexuais para evitar uma classificação etária mais restritiva. Não houve, nesse caso, a retirada do trecho inteiro.


Em 2024, o roteirista Roger Avary reacendeu a discussão ao mencionar, no podcast de Joe Rogan, histórias sobre um possível final diferente. O relato não foi acompanhado por imagens, documentos ou outros elementos materiais.


Mistério resiste sem provas


A manifestação de Vivian não encerra todas as dúvidas sobre o processo de finalização do longa, mas estabelece um limite importante: até agora, ninguém apresentou provas dos 20 minutos supostamente eliminados.


A teoria sobre Epstein depende sobretudo de associações feitas depois do lançamento, estimuladas pela sociedade mascarada mostrada na história, pela morte repentina de Kubrick e pelo sigilo que cercou as filmagens.


O mistério talvez sobreviva justamente porque combina com o universo do próprio filme, no qual desejo, poder e paranoia nunca se revelam por completo. Fora da ficção, porém, o alegado corte permanece apenas como especulação.

 
“De Olhos Bem Fechados” está disponível para assinantes da HBO Max.

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