Uma discussão aparentemente banal encerra sete anos de relacionamento e empurra duas pessoas para direções opostas. Marta se recolhe em uma rotina marcada pelo silêncio, enquanto Antonio tenta ocupar o vazio mergulhando no trabalho como chef de cozinha. O rompimento, porém, ganha outro significado quando ela descobre que a perda de apetite não vem apenas do abalo emocional, mas de uma doença grave.
Esse é o ponto de partida de “Três Vezes Adeus” (Tre Ciotole), novo longa da cineasta espanhola Isabel Coixet, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17 de setembro. A estreia contempla 16 cidades, entre elas São Luís.
Alba Rohrwacher interpreta Marta, professora de educação física que responde ao abandono isolando-se do mundo. Em meio à solidão, ela passa a dividir pensamentos com o recorte de papelão, em tamanho real, de um ídolo do K-pop encontrado no lixo. Elio Germano vive Antonio, responsável pelo término, mas incapaz de apagar a antiga companheira da memória.
Quando as persistentes dores no estômago recebem um diagnóstico preocupante, Marta precisa reorganizar não apenas a própria rotina, mas a maneira como observa o tempo, os afetos e a proximidade da morte. O filme acompanha esse deslocamento sem transformar a protagonista em símbolo de resignação: é justamente diante da finitude que ela começa a encontrar uma forma particular de estar viva.
Isabel Coixet revisita a proximidade da morte
Coixet também assina o roteiro ao lado de Enrico Audenino. A história adapta o livro semiautobiográfico “O Sentido da Náusea”, da escritora e ativista italiana Michela Murgia, morta em 2023.
Segundo a diretora, o longa estabelece um diálogo com “Minha Vida Sem Mim”, produção lançada por ela em 2003. Enquanto aquele filme acompanhava uma personagem preocupada em construir um legado, a nova obra apresenta uma mulher sem filhos que descobre outro modo de viver quando acredita já não ter muito a perder.
A narrativa ainda combina dois elementos recorrentes no cinema de Coixet: música e gastronomia. A presença do K-pop funciona como uma janela para os códigos afetivos das gerações mais jovens, enquanto a comida estabelece contrastes entre a alta cozinha praticada por Antonio e experiências culinárias mais simples e cotidianas.
Entre a melancolia, o humor deslocado e a ternura, “Três Vezes Adeus” aborda diferentes formas de despedida: de um relacionamento, da identidade construída ao longo dos anos e da ideia de que a vida seguirá conforme o planejado. Mais que um drama sobre doença, o filme procura entender o que ainda pode nascer quando as certezas começam a desaparecer.
Além de São Luís, o longa estreia em Balneário Camboriú, Belo Horizonte, Brasília, Caxias do Sul, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Niterói, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.