“High and Dry” ajudou a apresentar o Radiohead a um público mais amplo, mas seu autor guarda pouco afeto pela canção. Em uma conversa com Harry Styles para a Rolling Stone, Thom Yorke afirmou que preferia não ter escrito a faixa de “The Bends”, lançado em 1995.
O assunto surgiu enquanto os músicos discutiam composição e o lugar da voz dentro de uma música. Styles mencionou “High and Dry” como exemplo de uma estrutura mais tradicional, apoiada em voz e violão. Yorke concordou com a leitura, mas respondeu com uma ressalva: “Essa em particular eu preferia não ter feito”. Uma careta acompanhou a declaração.
A distância entre o compositor e a faixa contrasta com a trajetória da música. “High and Dry” alcançou o 17º lugar na parada britânica e se tornou uma das gravações mais conhecidas do segundo álbum do Radiohead. Nos palcos, porém, ela desapareceu do repertório há décadas: segundo os registros do Setlist.fm, a última apresentação ocorreu em 21 de janeiro de 1998, em Fukuoka, no Japão.
Yorke também falou sobre o desgaste que antecedeu o lançamento de “OK Computer”. Quando o disco chegou às lojas, ele já estava cansado daquele material. Ao sair em turnê para divulgá-lo, sua vontade era “seguir em frente”.
As duas lembranças expõem uma diferença de perspectiva. O público pode passar anos descobrindo novas camadas de um disco que o artista já percorreu exaustivamente durante a criação e a gravação. No caso de Yorke, nem o sucesso de “High and Dry” nem a consagração de “OK Computer” parecem apagar a inquietação de quem já pensava na próxima música.