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Música da noite: “Brasil” com a festa atravessada na garganta
Entre o deboche e a exaustão, a canção conserva o desconforto de quem chegou à pista e encontrou a porta fechada
Por Redação Rádio VB
Publicado em 25/10/2026 18:30
Música
O refrão de "Brasil" convida ao coro, mas a interpretação sabota qualquer conforto (Foto: Divulgação)

Cazuza canta “Brasil” como quem perdeu a paciência no fim da madrugada. A voz tem fumaça, saliva e uma elegância meio arruinada. Cada pergunta chega com o gosto amargo de uma conversa que já deveria ter acontecido.

O refrão convida ao coro, mas a interpretação sabota qualquer conforto. Há ironia naquele chamado, uma vontade de arrancar a maquiagem do cenário. Cazuza sabia usar o exagero, e esticava a palavra até aparecer a ferida.

“Brasil” pede volume e ouvido atento. Por baixo da familiaridade, ainda existe um sujeito deslocado, olhando a festa pela fresta. O incômodo começa quando a gente percebe que decorou a música e quase deixou de escutá-la.

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