O repertório veio antes da homenagem. Com o Salão de Atos da PUCRS lotado, os Paralamas do Sucesso percorreram mais de quatro décadas de carreira no show Paralamas Clássicos e, ao fim da apresentação, receberam o Mérito Cultural da universidade. Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone formam a primeira banda contemplada pela distinção.
A escolha inscreve o trio em uma relação de homenageados que inclui Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Lima Duarte, Alcione, Alceu Valença, Martinho da Vila, Tony Ramos e Fafá de Belém. Concedido anualmente, o reconhecimento valoriza trajetórias artísticas e a contribuição da cultura para a educação e a humanização.
Na entrega, o reitor da PUCRS, irmão Manuir Mentges, evocou a passagem dos músicos pela vida universitária e apresentou a honraria como uma espécie de novo diploma, conquistado depois de décadas de atuação na música brasileira. Também ressaltou a defesa da cultura como espaço de convivência e transformação.
Herbert recebeu a homenagem ampliando o palco para além dos três integrantes. Em seu agradecimento, lembrou artistas que compartilharam com os Paralamas uma época de renovação da música brasileira.
“Para proferir as palavras mais enfáticas e adequadas como agradecimento, a gente teria que juntar aqui gente como Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes, Humberto Gessinger”, afirmou.
O músico dedicou a esses companheiros parte do reconhecimento recebido pelo grupo. “Somos parte dessa equipe e dedicamos a cada um deles a alegria e as honras que qualquer sorriso, aplauso e reação de entusiasmo nos trouxeram nessa nossa caminhada.”
Uma história contada pelas canções
Antes dos discursos, o show havia recuperado diferentes fases da banda. “Vital e Sua Moto” e “Cinema Mudo” abriram a apresentação, retomando o início da trajetória fonográfica, marcada pelo álbum de estreia Cinema Mudo, de 1983.
O percurso seguiu por “Ska”, “Lourinha Bombril” e “Selvagem”, passando pela dimensão afetiva de “Lanterna dos Afogados” e pelas paisagens sociais de “Alagados”. “Uma Brasileira” e “Óculos” também integraram o repertório.
No bis, “Ela Disse Adeus”, “Caleidoscópio” e “Meu Erro” prolongaram o encontro. Reunidas, as músicas deram conteúdo à homenagem: uma obra que atravessou gerações, circulou entre o rock, o reggae e a música brasileira e continua encontrando seu lugar diante do público.