Uma carreira também pode ser contada pelas canções que uma intérprete escolhe levar consigo. Em 60 Anos de Carreira, lançado na sexta-feira (6), Maria Bethânia revisita esse acervo afetivo em um registro ao vivo de 83 minutos, distribuídos em 38 faixas. O álbum chega pela Biscoito Fino e documenta a turnê comemorativa da cantora.
Gravado em apresentações realizadas nos dias 17 e 18 de janeiro, no Vivo Rio, o trabalho reúne 46 músicas. A diferença entre o número de canções e o de faixas acompanha uma característica dos espetáculos de Bethânia: o encadeamento de obras, que permite aproximar épocas e compositores dentro de uma mesma sequência musical.
Entre os encontros do repertório está “O Lado Quente do Ser / Cheiro de Amor”. O disco também inclui “Maria Bethânia, a Menina dos Olhos de Oyá”, ampliando a celebração para as canções que passaram a contar a própria história da artista.
Outras escolhas apontam para uma trajetória ainda aberta a descobertas.
“Mares da Espanha”, de Angela Ro Ro, e
“Diz que Fui por Aí”, de Zé Kéti e Hortênsio Rocha, dividem espaço com
“Palavras de Rita”, texto dedicado a Bethânia por Rita Lee e musicado por Roberto de Carvalho. As três gravações anteciparam o álbum em outubro, estabelecendo uma conversa entre homenagem, memória e repertório recém-incorporado.
A capa prolonga essa relação com os encontros que ajudaram a construir sua linguagem de palco. A pintura A Descida do Corcovado ou Ogum, criada em 1972 por Flávio Império, recupera a presença do artista plástico e cenógrafo em espetáculos da cantora nas décadas de 1970 e 1980.

Depois de Noturno, de 2021, Bethânia volta ao formato de álbum com um trabalho voltado à experiência do palco. A comemoração oferece uma oportunidade de percorrer sua história pelas escolhas de repertório — e perceber como essa história continua recebendo novas canções.