“Sunday Morning” possui uma atmosfera profundamente inquietante. Como se a canção respirasse o ar frio de uma cidade que acordou cedo demais. O Bolshoi transforma o domingo, esse dia falsamente inocente, em uma espécie de corredor nebuloso onde cada passo ecoa mais do que deveria. É pós-punk com alma de confessionário, sussurrando verdades que ninguém pediu para ouvir, mas que insistem em ser ditas.
O vocal arrasta uma melancolia elegante, quase cinematográfica, enquanto a guitarra parece caminhar sozinha por uma rua vazia, guiada apenas por postes de luz trêmulos. Não há pressa, o tempo escorre como água de madrugada, carregando memórias que não se acomodam. O Bolshoi sabe exatamente onde cutucar, na fronteira tênue entre nostalgia e abandono.
E é justamente aí que a faixa encontra sua força, na sensação de suspensão, como se o domingo nunca terminasse e, ao mesmo tempo, nunca tivesse começado de verdade. “Sunday Morning” é o tipo de música que te olha de volta, que te pergunta se você está indo ou voltando. Talvez nenhuma das duas coisas. Talvez você só esteja tentando atravessar o dia sem desaparecer.