Lançada em 1984, no álbum A Mesma Pessoa, “Cartaz” é daquelas canções que não envelhecem, apenas ganham novas camadas de sentido. Composta por Fausto Nilo e Francisco Casaverde, a música completa 42 anos em 2026 mantendo intacta sua força emocional, como um bilhete esquecido no bolso, relido décadas depois com o mesmo impacto.
“Cartaz” é construída sobre a ausência. Não há excesso de palavras, nem gestos grandiosos. Há espera, memória e uma solidão quase urbana, expressa em versos que parecem caminhar pela cidade procurando alguém que já não está. Fagner interpreta a canção com contenção e dramaticidade na medida exata, deixando que o silêncio entre as frases diga tanto quanto a melodia.
Inserida em um dos períodos mais maduros da carreira do artista, a faixa sintetiza bem o encontro entre a poesia sofisticada do Ceará e a MPB dos anos 1980, marcada por introspecção, romantismo ferido e imagens fortes. Fausto Nilo, com sua escrita cinematográfica, e Casaverde, na construção musical precisa, criam uma canção que parece existir fora do tempo, sempre atual, e aberta a novas leituras.
Quarenta e dois anos depois, “Cartaz” segue como um retrato íntimo da espera e do amor não resolvido. Uma música que permanece, como um cartaz colado na parede da memória, desbotado pelo tempo, mas impossível de ignorar.