“Ruby, Ruby, Ruby, Ruby… ah-ah-ah-ah.” O refrão arromba a porta. Ruby nasce em 2007, no meio do indie britânico pós-ressaca do britpop, quando as bandas ainda acreditavam que três acordes podiam salvar a noite. O Kaiser Chiefs escreve um aviso em letras tortas, um bilhete deixado na geladeira depois da última briga.
Ruby é nome próprio, mas também é código. A pessoa que vai embora sem fechar a porta, o telefone que não toca, a resposta que nunca vem.
A guitarra corre como quem foge de si mesma, a bateria empurra o tempo para frente e a voz de Ricky Wilson canta com aquele desespero educado típico dos ingleses. Nada explode de verdade, tudo implora por dentro. Ruby é dança e colapso ao mesmo tempo, perfeita para pistas suadas e corações jovens demais para admitir a derrota.
Há ecos de The Jam, o nervo de Blur, a urgência de quem sabe que o amor pode acabar antes do último refrão.
Ruby não é sobre alguém que foi embora. Trata-se de alguém que ficou parado, olhando o vazio, repetindo um nome como se isso pudesse trazer alguém de volta. Rock and roll também é insistir no refrão mesmo quando já sabe que não haverá bis.
Ruby nunca atende, e talvez seja exatamente por isso que a música ainda toca tão alto.