Em 2 de janeiro de 1985, o Brasil ainda aprendia a respirar fora da ditadura quando Legião Urbana chegou às lojas. O país vivia o clima das Diretas Já, Tancredo Neves era eleito indiretamente e a juventude tentava decifrar o futuro entre esperança e desencanto.
Nesse cenário, a estreia da Legião Urbana não oferecia consolo fácil, mas, sim, palavras diretas, angústia das ruas e um espelho incômodo do tempo.
Gravado com orçamento modesto e urgência estética, o disco trazia canções que soavam como cartas abertas, a exemplo de “Será”, “Ainda É Cedo”, “Por Enquanto”. A recepção inicial foi de curiosidade e identificação imediata entre jovens que se viam, pela primeira vez, retratados sem filtros.
A crítica percebeu ali um rock menos performático e mais confessional, ancorado na escrita de
Renato Russo, que transformava inquietações pessoais em linguagem coletiva.

Quatro décadas depois, o álbum de estreia da Legião é visto como um marco fundador do rock brasileiro dos anos 1980. Não pela sofisticação técnica, mas pela coragem de dizer o que precisava ser dito quando o país mudava de pele.
Ouvido hoje, o álbum preserva a franqueza e a urgência, sinais de uma obra que não envelheceu porque nunca tentou parecer moderna. Foi apenas verdadeira.