⚠️ ALERTA DE SPOILERS PESADOS
O texto abaixo revela detalhes centrais do enredo e do final de A Empregada. Se você ainda não leu o livro ou não assistiu ao filme, prossiga por sua conta e risco.
Recém-chegado aos cinemas brasileiros, A Empregada leva às telas a história que virou fenômeno da cultura pop a partir do livro homônimo da escritora Freida McFadden. Embora preserve o principal ponto de virada da narrativa original, o longa opta por um final bem diferente, e mais impactante — do que o apresentado nas páginas.
A grande revelação permanece. Após assumir o romance com Andrew (Brandon Sklenar), Millie (Sydney Sweeney) descobre que o homem aparentemente perfeito é, na verdade, agressivo e abusivo. Ela cai em um plano arquitetado por Nina (Amanda Seyfried), que contrata a jovem como empregada justamente para que o marido perca o interesse por ela e direcione sua obsessão a outra mulher.
O método de controle de Andrew é cruel. Sempre que considera que a parceira “errou”, ele a tranca no quarto do sótão, sem comida e com água limitada, como forma de punição. No filme, essa violência atinge um grau extremo quando ele obriga Millie a fazer 21 cortes na própria barriga com um caco de louça quebrada.
O final no cinema
No longa, Millie consegue virar o jogo. Após fingir obediência, ela engana Andrew, o ataca com uma faca e o tranca no sótão em seu lugar. A trama então caminha para um clímax de ação: arrependida, Nina retorna à mansão para tentar salvar a empregada, mas acaba libertando o próprio agressor.
Andrew tenta retomar o controle emocional da esposa, mas Nina se recusa a voltar para o relacionamento. Quando ele ameaça atacá-la, Millie reaparece e o empurra da escada. Andrew cai de grande altura e morre no local.
A reviravolta final vem com a chegada da polícia: a investigadora responsável pelo caso revela ser irmã de Kathy, ex-noiva de Andrew, que fugiu dele anos antes profundamente traumatizada. Ciente do histórico de violência, ela decide acobertar Nina e Millie. O resultado é um encerramento “limpo”: Nina herda a fortuna do marido e ajuda Millie a recomeçar a vida.
O desfecho no livro é mais sombrio
No livro, o caminho é outro, e bem mais perturbador. Não há confronto físico nem queda de escada. Depois de prender Andrew no sótão, Millie o mantém encarcerado por dias, sem comida ou água. Durante esse período, ela o obriga a arrancar vários dentes, não apenas um. O abusador morre por desidratação, sozinho.
Quando Nina retorna à casa, encontra o marido já morto. As duas conversam, e Nina decide assumir a culpa, incentivando Millie a fugir. Não há cena de ação, apenas a constatação silenciosa do destino de Andrew.
A investigação também muda. No livro, quem resolve “fechar os olhos” é um detetive que se revela pai de Kathy. Ele explica que a filha voltou para casa anos antes completamente abalada após fugir do noivo e que, desde então, aguardava uma chance de fazê-lo pagar pelos crimes. Assim, ajuda Nina a sair impune.
Duas histórias, dois impactos
Enquanto o filme transforma o final em um confronto direto, quase catártico, o livro aposta em um encerramento frio, lento e moralmente incômodo. São duas abordagens distintas para o mesmo tema: a violência doméstica e suas marcas profundas.
A Empregada segue em cartaz nos cinemas do Brasil, convidando o público a comparar e discutir qual versão causa maior impacto.