Em 11 de janeiro de 1992, o improvável aconteceu. Nevermind, segundo disco do Nirvana, alcançava o primeiro lugar da parada da Billboard, desalojando ícones do pop e do rock polido que dominavam o início dos anos 1990. Não era apenas uma vitória comercial, era um choque cultural. O som áspero, ruidoso e emocional do grunge, até então restrito ao circuito alternativo, invadia o centro do sistema.
Produzido por Butch Vig e impulsionado por “Smells Like Teen Spirit”, o álbum transformou angústia juvenil, alienação e desconforto em linguagem universal. Kurt Cobain, com sua voz entre o grito e o colapso, tornou-se o rosto de uma geração que não se reconhecia no glamour excessivo da década anterior. Nevermind oferecia identificação em vez de respostas. E isso bastou para mudar tudo.
O impacto foi imediato e duradouro. Gravadoras passaram a correr atrás de bandas “imperfeitas”, camisas de flanela viraram uniforme simbólico e o rock voltou a soar perigoso.
Nevermind marcou o momento em que o alternativo deixou de ser margem e passou a ditar o centro, ainda que, ironicamente, isso tenha pesado de forma insuportável sobre seu principal criador.
Trinta e quatro anos depois, o feito segue emblemático. Nevermind, ao chegar no topo das paradas, redefiniu o que podia chegar lá. Um lembrete de que a música mais transformadora nasce exatamente do incômodo, e não do conforto.