Depois de conquistar reconhecimento internacional, O Último Azul, novo longa de Gabriel Mascaro, finalmente chegou ao público brasileiro nas plataformas digitais. O filme, que venceu o Urso de Prata na recente edição do Festival de Berlim, estreou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, no catálogo da Netflix.
Conhecido por obras provocativas como Boi Neon e Divino Amor, Mascaro volta a tensionar o presente ao imaginar um futuro inquietantemente plausível. Em O Último Azul, acompanhamos Tereza, personagem vivida por Denise Weinberg, uma mulher de 77 anos que recebe uma notificação oficial do governo: ela deve deixar sua vida para trás e se mudar para uma colônia habitacional obrigatória destinada a idosos.
Nesse mundo distópico, o envelhecimento deixa de ser um processo natural e passa a ser tratado como um obstáculo à produtividade. A justificativa do Estado é clara: permitir que os jovens “produzam sem peso”, enquanto os mais velhos são confinados a espaços onde devem, supostamente, aproveitar seus últimos anos.
Mas Tereza se recusa a aceitar esse destino sem questionar. Antes do exílio forçado, ela decide partir em uma viagem pelos rios e afluentes, em busca de realizar um último desejo. O que começa como despedida se transforma em travessia íntima, política e emocional, capaz de redefinir seu próprio rumo.
Além da direção, Gabriel Mascaro assina o roteiro ao lado de Tibério Azul, com colaboração de Murilo Hauser e Heitor Lorega, dupla responsável pelo premiado Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar. O elenco ainda conta com a presença de Rodrigo Santoro, ampliando o peso simbólico da narrativa.
Sem recorrer a grandes efeitos ou discursos óbvios, O Último Azul constrói sua força no silêncio, na paisagem e no corpo que insiste em existir. É um filme sobre envelhecer, sim, mas, sobretudo, sobre escolha, dignidade e a coragem de dizer não quando o mundo tenta decidir por você.