Em 21 de janeiro de 1956, a história da música popular mudou de eixo. Rock Around The Clock, de Bill Haley & His Comets, tornou-se o primeiro rock’n’roll a entrar oficialmente nas paradas musicais, um feito que ultrapassou números e inaugurou uma nova era cultural.
Lançada originalmente em 1954, a canção só explodiu mundialmente após integrar a trilha do filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência). O impacto foi imediato, e jovens reconheceram naquele ritmo acelerado, pulsante e irreverente uma linguagem própria, algo que não pertencia aos salões elegantes nem às gerações anteriores. O rock deixava de ser ruído marginal para se tornar fenômeno social.
Musicalmente, “Rock Around The Clock” não era sofisticada. E talvez exatamente por isso fosse revolucionária. Seu riff direto, o contrabaixo marcado e a batida insistente traduziam urgência, movimento, desejo de ruptura. Era música feita para dançar, suar, incomodar, e, sobretudo, existir fora das regras.
O sucesso abriu caminho para tudo o que viria depois: Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Buddy Holly e, mais adiante, Beatles, Stones e toda a cadeia cultural que transformaria o rock em atitude, identidade e resistência. Sem Bill Haley, talvez o rock demorasse mais a encontrar seu lugar no centro da cultura pop.
Setenta anos depois, “Rock Around The Clock” pode soar ingênua aos ouvidos contemporâneos, mas sua importância permanece intacta. Foi o primeiro giro do relógio a anunciar que o mundo jovem tinha voz, ritmo e fúria suficientes para mudar tudo ao seu redor.
O rock começava ali. E nunca mais parou de bater.