Em 17 de fevereiro de 1925 nascia Marcos Rey, escritor e cineasta que se tornaria um dos maiores responsáveis por despertar o gosto pela leitura em milhões de jovens brasileiros. Se hoje falamos em formação de leitores no país, é impossível ignorar o impacto cultural da Coleção Vaga-Lume, que teve em Rey um de seus nomes mais emblemáticos.
Entre seus títulos mais marcantes está O Mistério do Cinco Estrelas, talvez o mais lembrado. A trama acompanha o jovem Leo, que se vê envolvido em uma conspiração dentro de um hotel de luxo em São Paulo após presenciar um crime. Suspense urbano, ritmo ágil e linguagem acessível fizeram do livro uma febre nas escolas. Era comum encontrar exemplares gastos, rabiscados, passando de mão em mão nas bibliotecas.
Outro clássico, Um Rosto no Computador, trouxe para os anos 1980 uma temática então moderna: tecnologia e mistério digital. Já O Rapto do Garoto de Ouro mergulhava no universo do rock e do sequestro de um astro, misturando cultura pop e tensão policial. Em A Ilha Perdida, embora não seja de sua autoria, mas frequentemente associada à coleção, Rey dividia prateleiras com outros autores que, juntos, criaram um verdadeiro cânone juvenil brasileiro.
O que Marcos Rey representou para aquela geração foi mais do que entretenimento. Seus livros funcionaram como porta de entrada para a literatura nacional, mostrando que era possível viver grandes aventuras em cenários brasileiros, com personagens que falavam a mesma língua do leitor. Ele trouxe São Paulo para o centro do suspense juvenil, afastando-se do imaginário estrangeiro e criando identificação imediata.
Em tempos anteriores à internet e aos streamings, a experiência de descobrir um segredo junto aos personagens de Rey era quase cinematográfica, talvez reflexo de sua atuação também como roteirista. Seus enredos tinham ritmo de filme, cliffhangers estratégicos e finais que incentivavam a busca pelo próximo volume.
Cem anos após seu nascimento, Marcos Rey segue vivo na memória afetiva de quem aprendeu a gostar de livros com capa amarela e lombada marcante. Mais do que autor, foi iniciador de leitores, e isso é um legado que atravessa gerações.