Criada por Dan Fogelman, o mesmo nome por trás de This Is Us, a série Paradise retorna ao Disney+ nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, com uma segunda temporada que abandona a sensação de thriller fechado para apostar em escala maior, narrativa, emocional e geográfica.
Se o primeiro ano funcionava como um enigma político dentro de um espaço limitado, a nova fase visa transformar a série em algo mais próximo de uma ficção sobre reconstrução social após o colapso.
E essa mudança redefine o que Paradise pretende ser.
Confira abaixo o trailer da segunda temporada
O que a primeira temporada realmente construiu
⚠️ ALERTA DE SPOILERS ⚠️
Texto a seguir contém revelações importantes sobre a primeira temporada de Paradise, incluindo detalhes centrais da trama, identidade do assassino, reviravoltas narrativas e acontecimentos do episódio final.
A premissa inicial parecia direta, Xavier Collins, agente do Serviço Secreto vivido por Sterling K. Brown, estrela da série This Is Us, torna-se suspeito após o assassinato do presidente dos Estados Unidos, Cal Bradford, interpretado por James Marsden.
O primeiro grande deslocamento narrativo veio quando o público descobriu que a comunidade onde todos vivem não era uma cidade isolada, mas um bunker subterrâneo, criado após uma catástrofe global desencadeada por eventos naturais e conflitos nucleares.
A série passou então a operar em duas camadas:
A revelação de que a esposa de Xavier, considerada morta, estava viva na superfície ampliou o conflito pessoal do protagonista e deslocou o foco da narrativa do crime para a verdade sobre o mundo exterior.
O mistério do assassinato encontrou resolução trágica com Trent, o projetista do bunker movido por ressentimento, encerrando o arco policial enquanto abria outro: o colapso do controle exercido pela bilionária Samantha Redmond, a Sinatra.
A virada da segunda temporada
A nova temporada parte de um cenário instável. O bunker deixa de ser refúgio absoluto e passa a representar limite narrativo.
Agora, a trama acompanha:
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a saída de Xavier em busca da esposa na superfície;
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a reorganização política interna após o vácuo de poder;
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a ameaça de grupos externos interessados na instalação subterrânea.
O movimento é claro: Paradise deixa de perguntar “quem matou?” e passa a investigar “como continuar vivendo?”.
A chegada de Shailene Woodley como uma sobrevivente misteriosa reforça essa expansão do universo, enquanto Thomas Doherty assume o papel de liderança em um novo núcleo na superfície.
Uma série que muda de gênero sem avisar
O principal risco, e também o maior acerto, está na mudança tonal.
A primeira temporada funcionava pelo confinamento. Corredores estreitos, vigilância constante e relações controladas. A segunda aposta em deslocamento e descoberta, aproximando-se mais da ficção pós-apocalíptica do que do suspense político.
Essa transição poderia fragmentar a identidade da série, mas o roteiro mantém o eixo emocional em Xavier. O personagem continua sendo o ponto de estabilidade enquanto o mundo ao redor se expande.
O que funciona (e o que ainda desafia)
Funciona:
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a ampliação do universo narrativo sem reiniciar a história;
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o protagonismo emocional sustentado por Sterling K. Brown;
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o uso do mistério como motor humano, não apenas narrativo.
Desafia:
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equilibrar múltiplos núcleos fora do bunker;
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manter tensão sem depender do confinamento original;
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evitar que a escala maior dilua o conflito íntimo.
Veredito
Paradise promete retornar menos interessada em respostas definitivas e mais focada em consequências. A série troca o quebra-cabeça pelo deslocamento emocional e amplia sua ambição sem abandonar o drama humano que sempre sustentou a narrativa.
Se a primeira temporada perguntava quem sobreviveu ao fim do mundo, a segunda parece interessada em algo mais difícil: o que fazer depois que sobreviver deixa de ser suficiente. Uma continuação que deve assumir riscos narrativos e reposicionar a série como drama de reconstrução em vez de simples suspense conspiratório.
Nota final da primeira temporada: ⭐⭐⭐⭐☆ (4/5)
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