Se estivesse aqui, Chorão completaria 56 anos nesta quinta-feira. O tempo passa, mas há artistas que permanecem em suspensão, como se ainda estivessem prestes a entrar no palco. Chorão é um deles, pelo que cantou, e pela forma como transformou inquietação em linguagem.
À frente do Charlie Brown Jr., ele construiu uma obra que misturava skate, rua, crítica social e um lirismo direto, quase confessional. Canções como “Proibida Pra Mim” e “Dias de Luta, Dias de Glória” não ficaram presas ao rádio. Viraram trilha de adolescências, de conflitos silenciosos e de pequenas resistências cotidianas. Havia ali uma estética própria, feita de urgência e imperfeição, que dialogava mais com a vida real do que com qualquer padrão de mercado.
A trajetória, no entanto, sempre caminhou sobre uma linha instável. O mesmo impulso criativo que o projetou também o consumia. Em março de 2013, sua morte precoce interrompeu uma história que ainda parecia em construção.
Chorão saiu de cena cedo demais, deixando um vazio difícil de preencher. Ainda assim, sua presença insiste. Está nos fones de ouvido, nas letras rabiscadas em cadernos antigos, na memória coletiva de quem encontrou nas suas palavras uma forma de continuar.