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Há 33 anos, o rock aprendia a morder de novo
Get a Grip marcou o retorno feroz do Aerosmith aos anos 90 e virou trilha de uma geração entre o excesso e a redenção.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 20/04/2026 06:00
Música
Get a Grip carrega o peso de uma banda que já tinha vivido demais (Foto: Divulgação)

Há discos que chegam como confirmação, e outros, como reação. Get a Grip foi os dois ao mesmo tempo. Em 1993, enquanto o mundo olhava para Seattle e o grunge dominava as conversas, o Aerosmith resolveu fazer o oposto. Em vez de recuar, ampliou. Mais produção, mais refrões, mais presença. O resultado foi um álbum que não pediu licença para existir naquele tempo.

As músicas carregam uma tensão curiosa entre o polimento e a sujeira. Cryin', Crazy e Amazing foram além da condição de hits. São construções que parecem entender o rádio sem abrir mão de uma certa inquietação. Há algo ali que não quer ser totalmente domesticado, mesmo quando tudo soa calculado para alcançar o maior número de ouvidos possível.

O disco também carrega o peso de uma banda que já tinha vivido demais. Steven Tyler atravessou excessos e voltou para contar tudo em forma de versos. Joe Perry sustenta essa narrativa com riffs que misturam precisão e instinto. Não é mais a urgência juvenil dos anos 70, é frequência rock 'n roll energizada. Uma consciência de si que torna tudo mais intenso.

 
Três décadas depois, Get a Grip permanece como um registro de sobrevivência, não só de uma banda, mas de um jeito de fazer rock que recusou desaparecer. Ele não pertence apenas aos anos 90, continua ali, com os dentes à mostra, esperando alguém dar play outra vez.

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