Avaliação: ⭐⭐⭐ (3 de 5 estrelas)
Há anos o público se pergunta se a Pixar perdeu o medo de estragar seus próprios finais perfeitos. Após a conclusão irretocável do terceiro capítulo e a despedida melancólica (e desnecessária, porém digna) do quarto, Toy Story 5 chega aos cinemas carregando o fardo invisível da saturação de franquia. Sob a direção que tenta equilibrar o DNA clássico do estúdio com as exigências tecnológicas modernas, o filme coloca Woody, Buzz e a gangue diante de um novo dilema existencialista: a era digital e o desinteresse das crianças por brinquedos físicos. O roteiro é ágil e arranca risadas sinceras, mas a sensação de déjà vu flutua no ar como poeira em um quarto abandonado.
O grande mérito do longa reside, sem surpresas, na excelência técnica e no carisma inabalável de seu elenco de voz original. A animação atinge texturas de um realismo impressionante. Os arranhões no plástico de Buzz e o desgaste no tecido de Woody contam suas próprias histórias. Há também uma boa dose de criatividade na introdução dos novos antagonistas (dispositivos eletrônicos e inteligências artificiais obsoletas que ganham vida), gerando sequências de ação milimetricamente coreografadas que divertem toda a família. O coração da franquia ainda bate aqui, mesmo que em um ritmo visivelmente mais cansado.
Toy Story 5 falha em justificar sua própria existência artística, funcionando muito mais como um caça-níqueis de luxo do que como uma necessidade narrativa. O longa entrega o esperado, a lição de moral reconfortante, a piada rápida e a lágrima garantida no terceiro ato, mas sacrifica o peso emocional dos desfechos anteriores em nome de uma imortalidade corporativa.
É um filme bom, tecnicamente impecável e divertido, mas que deixa um incômodo questionamento: até quando será possível fingir que os brinquedos não deveriam, finalmente, descansar na caixa?