Um estudo recente publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth acendeu um alerta amarelo na comunidade científica sobre a tensão acumulada nas falhas de San Andreas e San Jacinto, no sul da Califórnia, que atingiu o maior patamar dos últimos mil anos. A pesquisa, liderada pela geofísica Liliane Burkhard, mapeou que o ponto de encontro dessas falhas, o Cajon Pass, pertinho de Los Angeles, está "criticamente carregado", criando o cenário físico perfeito para o tão temido "Big One".

Trecho da falha de San Andreas na planície de Carrizo, na Califórnia (Foto: Doc Searls)
Embora a ciência insista que isso é um chamado à preparação e não uma contagem regressiva apocalíptica, o imaginário popular instantaneamente recorre ao cinema para digerir esse medo. E é aí que entra Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), disponível na HBO Max.
No filme de ação dirigido por Brad Peyton, Hollywood faz exatamente o que os cientistas do mundo real tentam evitar, e abraça o catastrófico com força total. Na trama, a falha cede de maneira violenta, desencadeando o maior terremoto da história registrada e forçando o piloto de helicóptero de resgate Ray Gaines, interpretado pelo incansável Dwayne "The Rock" Johnson, a cruzar o estado destruído para salvar sua ex-esposa Emma (Carla Gugino) e sua filha Blake (Alexandra Daddario).
Se na realidade a Dra. Burkhard explica que as placas se movem centímetros por ano sob forte atrito, na tela esse atrito vira um espetáculo visual de arranha-céus colapsando, fendas colossais engolindo estradas e tsunamis varrendo a costa de São Francisco.
O longa funciona como o perfeito contraponto pop à sobriedade dos dados geológicos. Enquanto o estudo real serve para que engenheiros e autoridades reforcem edifícios e planos de contingência em Los Angeles, a produção da Warner Bros. usa o carisma de The Rock e a resiliência das personagens de Gugino e Daddario para testar os limites da sobrevivência humana em um cenário de destruição absoluta.
Assistir a Terremoto hoje, com o pano de fundo de que a fenda está fisicamente mais propensa a um grande rompimento, transforma o filme de um mero passatempo em uma experiência curiosamente imersiva e visceral. É o entretenimento puro flertando com o inevitável poder da natureza.